Ao fim de 15 anos, Nicola Henriques faz balanço do projeto que já deveria ter sido replicado pela cidade
O projeto Silos Contentor Criativo – que ocupa uma parte da antiga moagem Ceres – começou em agosto de 2010 com apenas 20 alunos da ESAD.CR. Tem como mentor Nicola Henriques, que lembra à Gazeta das Caldas como o espaço que hoje é um hub cultural e multidisciplinar e de co-work, iniciou com apenas duas dezenas de estudantes da ESAD. CR.
Inicialmente existiam apenas seis espaços de trabalho. “Ao longo dos anos foi possível evoluir para um máximo de 36 espaços de criação”, contou o responsável. Neste momento, os Silos Contentor Criativo possuem 14 unidades de criação com mais quatro áreas numa loja no Bairro Azul.
“Queremos acreditar que tivemos um papel na regeneração da Ceres e até daquela zona da cidade pois, naquele território instalaram-se outros projetos em volta”, disse este responsável que deixou o ensino da Educação Física para passar a dedicar-se ao setor criativo. “Até ao mês passado tivémos a funcionar mais sete espaços na Cidade Nova “, contou o mentor da iniciativa que é consultor de projetos similares no país e convidado com frequência para dar a conhecer o percurso deste projeto criativo caldense além fronteiras.
Os ateliers que ocupam uma parte dos Silos têm um máximo de 30 metros quadrados, ou seja, “continuamos a apostar em pequenos espaços físicos onde se produz conteúdos de acrescido valor”.
Os Silos Contentor Criativo começou muito focado nos alunos da escola de artes caldense e com o objetivo de potenciar a ligação destes com a cidade. Logo surgiram parcerias com entidades nacionais e algumas internacionais e os Silos passaram a ser palco de residências artísticas, concertos, exposições e a acolher as mais diversas iniciativas e promovendo também outras no centro da cidade.
“É notório que a cidade precisa de mais espaços como os Silos Contentor Criativo”, disse o mentor, que considera que um território que se diz criativo já deveria “ter mais três ou quatro espaços a cumprir a missão que fizémos e corresponder às necessidade de setor criativo”.
Na sua opinião, a cidade continua a precisar de espaços de exposição, exibição, experimentação e não formais.
“É preciso continuar a apostar no mercado criativo e a melhor forma de o fazer seria através de um observatório permanente sobre quem são os atores e as suas necessidades”, referiu o mentor do projeto que iniciou o mapeamento dos criativos neste território.
“Hoje somos a Associação Destino Caldas e, em breve, passarei a ter uma posição, mais de consultadoria e também de curadoria. Segundo Nicola Henriques, é preciso replicar o projeto para outras zonas do país. “Será uma maneira de levar as Caldas para fora do território”, disse o responsável que colabora com vários projetos nacionais.
Nicola Henriques considera que nas Caldas “há uma falta absurda de representatividade do setor criativo e cultural nos orgãos de decisão”. Faltam regulamentos específicos e é preciso ir mais além, não só a nivel local como também nacional. E é preciso questionar porque é as Caldas – que tem mais conteúdos para apresentar – não aposta nesta área como fez Castelo Branco ou Covilhã. “Venho do desporto, sou competitivo e quero que o meu território seja vencedor”, resumiu o mentor dos Silos Contentor Criativo que hoje acolhe nos seus espaço sobretudo criativos numa fase pós-académica e autores com carreira firmada. “É esse o nosso público agora. Evoluímos nesses sentido em nome da estabilidade do próprio projeto”, rematou.





