Sensibilização, sobretudo dos mais novos, para a melhor resposta ao tremor da terra esteve na base da invenção e criação da plataforma, nas oficinas da autarquia
Um sismo de fraca magnitude sentido na região de Lisboa lembrou a José António o terramoto de 1755 que, com os seus três impulsos, demorou nove minutos e terá tido uma magnitude de 8,7 da escala de Richter, destruindo a maioria de seus edifícios, ruas e praças e provocando a dezena de milhares de mortes. O então adjunto do presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, com funções de coordenação da Proteção Civil, quis saber como acontecem, quais as falhas sísmicas que existem na zona e como as pessoas podem estar preparadas. O trabalho intenso levou-o à construção, em 2006, de um simulador de sismos, que percorreu as escolas de quase todo o país. “Estive numa feira da Proteção Civil em Albufeira, quase uma semana com ele [simulador], a fazer apresentações, e depois fui percorrendo as escolas, até Viseu”, recorda à Gazeta das Caldas.
Do equipamento, criado nas oficinas da Câmara, em S. Cristóvão, fazem parte dois estrados de palco desativados, com três metros por 1.90 cada, ou seja, dá para uma sala de seis metros por 1.90 e ainda inclui algumas secretárias que têm molas nos pés. Há uma estrutura metálica que suporta os estrados e motores elétricos descompensados que causam a vibração similar às dos sismos. Os motores são aqueles que se utilizam nas bancadas de vibrar o cimento para fazer os blocos desse material para as obras. Os suportes de apoio, situados sob os estrados, também favorecem a vibração pois são de borracha e, assim que se coloca o aparelho a funcionar, “tudo aquilo se vai movimentando”, explicou o autor.
Hoje já não se lembra do valor dos custos, mas garante que foi irrisório. Limitou-se a “juntar um conjunto de acessórios que se encontram à venda no mercado” e “colocar a cabeça a trabalhar até criar um equipamento que dá a sensação que está a acontecer um sismo”, que pode atingir os sete a oito graus na escala de Richter. A plataforma (aliás foram criadas duas, mas uma está destruída), não tem funcionado, até porque “tem de se saber trabalhar com ela”, realça José António.
O antigo coordenador da Proteção Civil Municipal destaca a importância da sensibilização nesta matéria. “Ninguém está preparado para a ocorrência de um sismo e, mesmo quem, como eu, fez um estudo mais aprofundado, podem falhar coisas no momento, pois estes não são todos iguais. Há sismos que têm uma continuidade, com réplicas, por vezes, durante uma hora, e que não causam danos, enquanto que outros, de escassos minutos, destroem tudo”, faz notar. É, por isso, importante sensibilizar os mais novos, nas escolas, mas também, por exemplo, idosos ou pessoas com dificuldades motoras, sobre como podem reagir se a terra começar a tremer e não puderem sair de casa.
Atualmente reformado, e a frequentar a Universidade Sénior, José António mantém-se disponível para, em caso de interesse, ir às escolas falar sobre a temática, partilhando o seu conhecimento. Dá nota de que esta é uma região onde existem várias falhas tectónicas, entre elas a zona do Cabo Carvoeiro (Peniche). “Imagine-se, por exemplo, que tenho uma casa no Baleal e se registar ali um sismo, pode provocar um tsunami e inundar aquela zona. É um problema real, que está presente”, avisa.
Aos 74 anos e reformado, divide a vida entre os Vidais, em cuja freguesia reside, e as aulas na Universidade Sénior das Caldas. Mas durante toda a vida foi um “engenhocas”. Aos 22 anos era chefe de equipa de mecânicos de helicópteros. No tempo da guerra colonial, em Moçambique, havia um acessório que se estragava quase todos os dias na principal hélice dos helicópteros e foi ele o autor de uma peça de encaixe que acabou por solucionar o problema. Quando chegou aos serviços municipalizados da Câmara das Caldas havia um problema com as tampas do esgoto que foi resolvido com a criação de mais uma peça criada de raiz por José António e que poupa a todos incómodos relacionados com as tampas de esgoto.







