
Uma manifestação que juntou meia centena de pessoas, realizada no dia seguinte, a decisão de avançar com uma providência cautelar contra os CTT e uma acção popular que pretende lutar legalmente contra o encerramento são algumas formas de luta já adoptadas. Mas à hora de fecho desta edição, as portas mantinham-se encerradas e a população não tinha outro remédio senão deslocar-se aos postos de Carvalhal Benfeito e Vimeiro (a funcionar nas Juntas de Freguesia) ou à estação dos CTT da Benedita, todas a cerca de cinco quilómetros da vila.
Também na vila de Valado dos Frades, já no concelho da Nazaré, a contestação de dezenas de populares na tarde dessa mesma quinta-feira, não conseguiu evitar o encerramento da estação, cujas portas já não reabriram no dia seguinte. Sindicato fala em “dia D” para o encerramento das estações e exorta as populações a lutarem pela manutenção de um serviço público fundamental.
Nos últimos anos as populações de Santa Catarina e Valado dos Frades têm lutado contra a intenção dos CTT em encerrar as estações e transferir os serviços para postos, que tanto podiam ser assegurados pela Junta de Freguesia ou por algum privado. Mas o certo é que nenhum privado se mostrou interessado em assumir os postos e as Juntas nunca aceitaram as condições dos CTT, lutando sempre ao lado da população para manter as estações abertas. E os CTT acabaram sempre por recuar com as ameaças de encerramento.
Desta vez a história teve um desfecho diferente, facto ao qual não será indiferente a intenção do governo de privatizar a empresa de capitais públicos até ao final do ano. Na missiva enviada à Junta de Freguesia de Santa Catarina, que chegou já depois da estação ter sido encerrada, a empresa justifica o fecho de portas com a “redução sistemática e consistente do tráfego postal”, potenciada pelo desenvolvimento das novas tecnologias e pela globalização das comunicações, e com as orientações definidas para o sector empresarial do Estado, que passam obrigatoriamente pela “racionalização dos custos”.
Não obstante o fecho inesperado, os responsáveis deixam em aberto a possibilidade da reorganização dos serviços prestados até aqui pela estação e a transferência para um posto, uma mudança na qual acreditam que a Junta seria o parceiro indicado.
O presidente da Junta de Freguesia de Santa Catarina, Rui Rocha, continua a defender que “a melhor solução para a vila é a manutenção da estação dos CTT” e diz que “a Junta está empenhadíssima em reabrir a estação”. Uma posição que prometeu defender na reunião com a administração dos CTT agendada para quarta-feira, já depois do fecho desta edição.
A 30 de Maio a Assembleia de Freguesia reuniu em sessão extraordinária, marcada com carácter de urgência, depois dos empresários da vila terem alertado para um ofício em que os CTT avisavam os proprietários dos apartados para indicarem onde pretendiam passar a receber a sua correspondência. Uma reunião onde marcaram presença cerca de duas dezenas de populares e onde foi deliberado avançar com uma providência cautelar contra os CTT, por se entender que foram violadas as bases de Concessão dos Serviços Postais, onde se salvaguarda que uma estação só pode fechar se houver alternativa, o que não se verifica, dado que não foi criado em Santa Catarina nenhum posto de correios. Uma outra sessão estava marcada para a noite de quarta-feira, após a reunião entre a Junta de Freguesia e a administração dos CTT. J.F.








