Sessão com Jacinto Neves decorreu no CCI e abordou os históricos naufrágios e salvamentos na costa de Peniche
Na tarde do passado sábado dezenas de pessoas deslocaram-se ao Centro Cívico Intergeracional Prof. Rogério Cação para ouvir Jacinto Neves (patrão de Salva-Vidas e chefe da Estação de Salva-Vidas de Peniche) falar sobre mais de um século de naufrágios e salvamentos ao largo de Peniche.
O primeiro naufrágio de que falou foi o Cruzador República, que se chamava Rainha D. Amélia e que, em 1915, encalhou entre Porto Batel e a Consolação e foi desmantelado.
Depois falou do SS Andrios ou Vapor do Trigo (1926), do Highland Hope (1930), do Henry Mory (1931) e do Cuyabá (1937), antes de recordar o carregueiro SS Dago, que em 1942, em plena segunda guerra mundial, trazia bens para os ingleses e foi bombardeado ao largo de Peniche por um avião nazi. “Ficou partido em três e está no Cabo Carvoeiro, a 50 metros de profundidade”, contou. “O Salva-Vidas de Peniche Almirante Sousa e Faro foi lá e recuperou os tripulantes, alguns feridos, nas duas baleeiras, que estavam a ser metralhadas pelo avião, contra a lei de Genebra”, complementou.
O incidente teve repercussões políticas. O embaixador de Inglaterra veio a Peniche e deu um donativo à Misericórdia local pela ajuda. Os feridos foram levados para o hospital e “a população juntou-se para oferecer conhaque e tabaco aos náufragos”.
Jacinto Neves falou ainda do navio João Diogo (1963), do caça-minas Santa Maria (1970), da traineira Igualdade, de um veleiro espanhol (1993), do Vougamar (1995) e do Peixe e Peixe (1998).
O Cheryl C, em 2001, tinha 70 metros e vinha carregado de aço. “Fui chamado para fazer o salvamento antes de acontecer o naufrágio!”, recordou. Ligaram-lhe, por volta das 22h00, a dizer que o navio ia bater no Cabo Carvoeiro e cerca de meia-hora depois assim foi. Partiu-se em três e afundou com a carga.
O Jóia da Coroa e o Mestre Comboio (ambos em 2005), um batelão (em 2007), o Monte do Senhor (2008) e o Cavaleiro (2015) foram mencionados, antes de se falar de um veleiro atacado por orcas, de um barco que ficou sem combustível, de um veleiro que afundou em 2016, depois de sair da Nazaré, com um velejador solitário.
O navio hidrográfico Loriga, que sentiu problemas nos Farilhões, foi rebocado para as Berlengas para aí ser reparado e prosseguir viagem.
Rui Venâncio, da Câmara de Peniche, lembrou que o mais antigo naufrágio ao largo de Peniche remonta à época romana, em 15 a.C., quando um navio que vinha carregado de vinho, do Sul de Espanha, se afundou.
Esta iniciativa integrava a programação do “Novembro Mês do Mar”, que contou com exposições, conferências, showcooking, provas desportivas, lançamento de um livro e outras atividades. No local era possível apreciar uma exposição de réplicas de embarcações de João Limpinho.





