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Duas visões sobre o futuro do Hospital Termal discutidas no CCC

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Por onde passa o futuro do Hospital Termal das Caldas da Rainha? O que devem os caldenses fazer para que não se perca o património com mais de cinco séculos de história? É nas mãos de entidades públicas ou de entidades privadas que o Hospital tem melhores e maiores hipóteses de vingar no futuro?

Estas algumas das perguntas que estiveram em cima da mesa na sessão organizada pelo PS das Caldas da Rainha e que na tarde do passado sábado, 4 de Maio, juntou cerca de 30 pessoas no CCC. Num encontro onde não foram encontradas soluções espontâneas nem fórmulas mágicas para resolver um problema que se arrasta há décadas, apontaram-se caminhos que podem dar um novo fôlego ao legado de D. Leonor.

José Luiz de Almeida e Silva, economista e director da Gazeta das Caldas, e Vasco Trancoso, médico e antigo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, foram os dois oradores convidados. E se as leituras de ambos sobre o que se passa com o Hospital Termal são bem diferentes, numa coisa os dois convidados parecem estar de acordo: é preciso relançar o mais antigo hospital do mundo de olhos postos no potencial do Turismo de Saúde e Bem-Estar.

Alargar a oferta e captar novos públicos

Para José Luiz de Almeida e Silva, “a tradição termal das Caldas da Rainha corre o risco de morrer se não se conseguir adaptar às mudanças”. E é aí que, na sua opinião, reside um dos maiores problemas do Hospital Termal: o tempo passou e não se apostou em serviços capazes de atrair mais clientes, onde a oferta não passa apenas pelo tratamento de diversas maleitas, mas também pela prevenção, num tratamento que aos cuidados com o corpo junta ainda os cuidados com a mente e o espírito. “Pessoas sem grandes maleitas muito dificilmente repetem a experiência de fazerem termas aqui nas Caldas”, disse.

Recorrendo a um estudo global dedicado ao mercado do bem-estar, o economista salientou que esta é uma área com um potencial de “milhares de milhões de dólares”, grande parte dos quais associados a uma postura de saúde e bem-estar pró-activa. “O investimento nesta área num país como o nosso poderia criar emprego e riqueza”, defendeu.

Citando um trabalho de 2006 sobre o Hospital Termal, realçou que já então se dizia que “mantendo-se o que existia, dificilmente caminharíamos noutro sentido que não a decadência”.

O que fazer, então, para contrair o declínio? Para já, há que estudar, compreender, trabalhar o sector. Transformar o conhecimento científico sobre as virtudes e especificidades das águas termais em conhecimento acessível e atraente para futuros clientes.

Depois, formar massa crítica, captar investidores, trabalhar em rede e procurar novos mercados. Neste contexto, José Luiz de Almeida e Silva acredita que a criação de um centro de talassoterapia na Foz do Arelho seria também uma mais-valia para a projecção do Hospital Termal.

Por outro lado, “o que as termas não precisam é de pavões”. Há, por isso, que deixar os egos de lado, perceber que “na imensidão dos problemas que a Administração Central tem que resolver no país, o Hospital Termal é uma ninharia”, e não esperar que a solução venha do governo.

A importância histórica e o cuidado aos pobres

Para Vasco Trancoso, o grande culpado da situação que se verifica actualmente no Hospital Termal é o Ministério da Saúde e a sua “postura cega e surda perante as potencialidades do termalismo caldense”.

Em tempos de crise, o médico gastroenterologista diz que há que fazer contas “tendo em atenção a importância identitária de espírito de lugar e todas as restantes mais-valias inerentes à estância termal das Caldas da Rainha, bem como a importância para o desenvolvimento económico e social na estratégia concelhia”.

Para o especialista, é preciso apostar na antiguidade das águas termais, na sua mais-valia em relação às águas sem propriedades terapêuticas que são utilizadas em diversas estâncias e centros de bem-estar, na origem do hospital, vocacionado para os pobres. E uma vez que o Ministério da Saúde “há tempos que se quer ver livre o mais depressa possível do Hospital Termal” e “não foi sensível à importância de investir num recurso singular a nível mundial com possibilidades de ajudar a diminuir os gastos em saúde e em alavancar a economia”, o que o antigo administrador hospitalar propõe é “que os caldenses assumam com as próprias mãos o relançamento do seu termalismo”.

Vasco Trancoso exorta ao consenso entre todas as entidades e forças vivas da cidade, bem como de individualidades com conhecimento sobre a matéria, “de modo a se construir uma base, o mais alargada possível, acerca dos valores essenciais sobre os quais se deverá reerguer o termalismo e respectivo património”.

Depois de composta uma nova Carta de Compromisso que definisse as linhas orientadoras do termalismo local, deverá ser feito um estudo de mercado e de viabilidade económica, para reduzir os riscos de falhanço da solução que vier a ser adoptada. “Se todos os que sentem as Caldas e o Hospital Termal no coração, puserem de lado preconceitos individuais ou colectivos e divergências face à actual situação, bem como maniqueísmos partidários, e se ganhássemos no âmbito do termalismo um sentido de colectivo, então a estância termal das Caldas da Rainha poderá voar, como entidade autónoma, com as suas próprias asas, no futuro”, disse.

Críticas à administração e à autarquia

Na sessão promovida pelo PS ouviram-se ainda duras críticas à actual administração hospitalar com a líder da concelhia do partido, Catarina Paramos, a reclamar mais uma vez a demissão do presidente do Conselho de Administração do CHO, Carlos Sá. “Tão grave como termos o Hospital Termal fechado é termos uma administração que não faz o que é preciso para manter o hospital aberto”, acusou.

Manuel Isaac, deputado eleito à Assembleia da República pelo CDS-PP, defendeu que “pedir a cabeça dos outros é branquear a culpa da Câmara” na situação. O deputado centrista voltou a defender que o Hospital Termal se mantenha no Serviço Nacional de Saúde, mas com gestão privada.

O Hospital Termal volta a ser debatido numa iniciativa do PS marcada para o próximo dia 18. Confirmada está já a presença do historiador João Bonifácio Serra na sessão. J.F.

Carlos Sá desmente presença em debate

O presidente do Centro Hospitalar do Oeste, Carlos Sá, desmentiu que a sua presença estava confirmada no debate que irá ter lugar esta noite, 10 de Maio, nos Pimpões, ao contrário do que tinha sido anunciado pela organização.

Esta, constituída pelos promotores do abaixo-assinado contra a privatização do Hospital Termal (que em 2008 reuniu cerca de 4.000 assinaturas), disse à Gazeta das Caldas ter ficado surpreendida por este desmentido.

Vítor Dinis afirmou que até ao início do debate vai continuar com a expectativa de que Carlos Sá “terá o bom senso de comparecer” e só irá reagir se este não estiver presente. “O senhor presidente recebeu-nos numa reunião onde se predispôs a colaborar no debate, tendo indicado até mais duas pessoas, que foram a Dra. Conceição Camacho e o Dr. Luís Pisco”, revelou, acrescentando que acabou por convidar ambas para poder garantir a presença de Carlos Sá.

Num comunicado enviado à nossa redacção, Carlos Sá afirmou que nunca confirmou a sua participação neste debate.

O administrador entende que a colocação do seu nome nos cartazes de divulgação do evento é “abusiva e lamentável”, tendo pedido à organização que rectificasse o material de promoção do debate.

Contactado pela Gazeta das Caldas, Carlos Sá não quis prestar mais declarações sobre o sucedido.

Mas não é só o administrador do CHO que vai faltar ao anunciado debate pois também Conceição Camacho, (directora clínica do Hospital Termal) e Luís Pisco (vice-presidente do Conselho Directivo da ARS de Lisboa e Vale do Tejo) acabaram por não aceitar.

Noutro comunicado enviado pelo CHO, a responsável pelo Serviço de Hidrologia do Hospital Termal, Conceição Camacho, explicou que declinou o convite por estar ausente neste dia por motivos de assistência de saúde a um familiar. Terá dito à organização que só poderia participar se fosse alterada a data da intervenção médica ao seu familiar, o que não veio a acontecer.

Até à data continua confirmada a presença do ex-vereador Jorge Mangorrinha, do ex-administrador termal João Almeida Dias e do arquitecto paisagístico João Caldeira Cabral.

Segundo Vítor Dinis, da organização, o objectivo de mais um debate sobre o Hospital Termal é abordar as questões técnicas e políticas, para que as pessoas fiquem mais esclarecidas. “Houve muitas pessoas que nos contactaram para tentar perceber o porquê do encerramento das termas, as razões para o aparecimento da bactéria e quais as suas consequências para a saúde humana, entre outras questões”, explicou. P.A.

 

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Edição #5625

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