
No concelho das Caldas da Rainha, foram detectados “materiais presuntivamente contendo amianto” nas escolas básicas de Santa Catarina e de Santo Onofre, na Escola Secundária Raul Proença, no Cencal, na Escola de Sargentos do Exército, no Museu de José Malhoa, na Casa da Caldeira do hospital das Caldas e até no pólo local da Agência Portuguesa do Ambiente.
No concelho de Alcobaça foram identificadas as escolas básicas da Benedita e de Pataias e, na sede do concelho, a Frei Estêvão Martins e a D. Pedro I. A Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Cister e o Centro de Formação Profissional em Fruticultura também fazem parte da lista.
Na Nazaré os centros de saúde de Valado dos Frades e da Nazaré, a Escola Básica Amadeu Gaudêncio e várias edificações do Porto da Nazaré são os edifícios onde é muito provável que exista amianto.
Peniche é o concelho onde se registam mais edifícios nesta condição: as instalações do controlo costeiro, várias instalações portuárias, os faróis do Cabo Carvoeiro e da Berlenga, o Centro de Saúde, a Alfândega, o Tribunal e a Escola Básica D. Luís Ataíde.
Em Óbidos não consta nenhum edifício público com amianto.
O levantamento dos edifícios de risco foram da responsabilidade de cada ministério, acompanhado pela Autoridade para as Condições do Trabalho e que teve em conta o ano de construção dos edifícios, a identificação do material contendo amianto, o local e o ano de aplicação, o estado de conservação, a friabilidade e probabilidade de contacto e o número de trabalhadores expostos por períodos de tempo.
Desta lista, ainda que alguns já tenham a remoção de amianto programada, como é o caso da Escola Básica de Frei António Brandão, na Benedita, dos restantes nada se sabe.
No documento, de 559 páginas, diz-se que os edifícios “irão agora ser submetidos a uma análise dos dados já recolhidos” para determinar quais os que serão apenas monitorizados com regularidade e quais os que “deverão ser submetidos a novas análises, no sentido ou de confirmar as informações recolhidas, ou de determinar a necessidade de realizar eventuais acções correctivas”. Mas sublinha-se que o Governo está atento a este problema, “tendo sempre agido em face de situações que revelavam, ou poderiam revelar, um elevado grau de perigosidade para a saúde pública”, levando a cabo intervenções de substituição, de encapsulamento e até de remoção de materiais contendo amianto.
Um trabalho que será agora desenvolvido para “continuar a garantir a todos os trabalhadores e utilizadores dos espaços ocupados pelos serviços públicos que o podem fazer com segurança e tranquilidade”, afiança o Governo.
AUTARQUIAS FORA DA LISTA
Desta lista só fazem parte os edifícios sob a tutela do Estado Central, excluindo-se assim os edifícios públicos autárquicos. Por exemplo, nas Caldas da Rainha, o Pavilhão da Mata e o Pavilhão D. Leonor contêm amianto, mas só o primeiro está a ser intervencionado, não estando previsto, no curto prazo, a resolução do problema do segundo.
Em grande parte dos concelhos, os pavilhões desportivos e de colectividades padecem também do mesmo problema.
Joana Fialho
jfialho@gazetadascaldas.pt
Comentário
Amianto – um risco que continua entre nós!
O asbesto, também conhecido como amianto, é uma designação comercial da variedade fibrosa de sais minerais metamórficos de ocorrência natural e utilizados em vários produtos.
É um material com grande flexibilidade e resistências química, térmica, eléctrica e à tração muito elevadas e que além disso pode ser tecido, constituído por feixes de fibras.
Estes feixes, por seu lado, são constituídos por fibras extremamente finas e longas facilmente separáveis umas das outras com tendência a produzir um pó de partículas muito pequenas que flutuam no ar e aderem às roupas.
Essas fibras podem ser facilmente inaladas ou engolidas podendo causar graves problemas de saúde.
A inalação prolongada de fibras de asbesto pode provocar doenças graves incluindo cancro do pulmão, mesotelioma e asbestose (um tipo de pneumoconiose).
O texto acima, adaptado da wikipédia é particularmente claro.
O uso do amianto, na União Europeia, tem vindo a ser objecto de inúmeras restrições e proibições no seu uso.
Ainda frequentei o gigantesco edificio do Berlaymont, antes da remoção do asbesto que durou quatro anos e um investimento de muitos, muitos milhares de euros… só foi concluida em 1999!
Hoje é incompreensível que não haja um investimento estruturado na remoção, cuidadosa, muito cuidadosa, e por empresas certificadas, porque essa pode provocar ainda maiores mais problemas, com a libertação de pós.
O grande problema do amianto é, de facto, o tempo e o seu manuseamento.
Os materiais degradam-se e as placas de fibro-cimento vão-se erosionando e libertando partículas, que são invisíveis e podem ser inaladas… por qualquer um, nos ambientes próximos.
Não é aceitável, de nenhuma maneira, que escolas, onde o risco é acrescido devido ao processo formativo dos jovens, por isso mais susceptíveis de geraram doenças, não sejam imediatamente limpas. Mas não é aceitável que seja o Estado a entidade que, não só não fiscaliza e implementa a remoção deste material no sector privado, que seja conivente com a ilegalidade no seu próprio cerne.
Quinze anos depois do fim da limpeza do edifício da União Europeia, quase quatro anos (Lei n.º 2/2011de 9 de Fevereiro de 2011!) depois da aprovação da lei “Remoção de amianto em edifícios, instalações e equipamentos públicos” é vergonhoso que continuemos a viver, paredes meias, com este pesadelo!
António Eloy





