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Estudo mediu a qualidade do ar na EB Santo Onofre

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Foram colocadas nas escolas estações de medição da qualidade do ar

Iniciativa permitiu perceber os impactos, especialmente, na hora de entrada e saída dos alunos nos estabelecimentos escolares a nível nacional

Foram recentemente apresentadas as primeiras conclusões de um estudo da Associação Bora Ambientar sobre a qualidade do ar em escolas a nível nacional, entre as quais a Escola Básica de Santo Onofre, nas Caldas, onde se realça que “os poluentes atmosféricos medidos à entrada destes estabelecimentos estão acima dos futuros limites legais”.

João Luís Azevedo, presidente da associação, explicou à Gazeta das Caldas que a monitorização foi efetuada através da “instalação itinerante de estações portáteis de medição da qualidade do ar nas escolas participantes, equipadas com sensores específicos para a medição contínua dos principais poluentes atmosféricos, nomeadamente partículas em suspensão (PM10 e PM2.5), dióxido de azoto (NO₂) e ozono troposférico (O₃)”.

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Nas 12 escolas monitorizadas a nível nacional nesta primeira fase, “os perfis horários das concentrações de PM10, PM2.5 e NO₂ são consistentes com a influência do tráfego rodoviário e registam aumentos nas horas de ponta de manhã e à tarde”, apontou. “Em nove das 12 escolas monitorizadas, caso a análise tivesse considerado os valores limite mais restritivos da Diretiva Europeia 2024/2881, que entrará em vigor em 2030, teriam existido muito mais situações de incumprimento”.

No caso da EB Santo Onofre a análise permitiu perceber que “a proximidade da escola a fontes associadas ao tráfego rodoviário, especialmente durante os períodos de entrada e saída dos alunos, poderá influenciar as concentrações de partículas em suspensão e de NO₂” e que “as concentrações de PM₁₀ e PM₂,₅ mantiveram-se relativamente uniformes, sem variações significativas”, enquanto o NO₂ “apresentou valores ligeiramente mais elevados, embora inferiores a 20 µg/m³, entre as 7h e as 9h e das 17h às 23h, sugerindo a influência do tráfego rodoviário”. Por sua vez, o O₃, “registou as concentrações mais elevadas entre as 10h e as 20h”.

Nas conclusões, a associação realça que “as concentrações dos poluentes PM₁₀, PM₂,₅ e NO2 foram relativamente reduzidas, não se tendo verificado ultrapassagens aos limites legais”, mas no caso do O₃ “registou uma média de 106,2 µg/m³ e 15 dias em que a concentração média diária ultrapassou as 120 µg/m³”. Acresce que “o número de dias com concentrações de PM₂,₅ acima dos valores de referência seria significativamente mais elevado do que o sugerido pela legislação atualmente em vigor, sublinhando a necessidade de uma monitorização continuada e atenta”.

Preocupação do agrupamento
Esta é uma questão que preocupa a direção do agrupamento. Apesar de ainda não ter tido acesso aos resultados, o diretor, João Silva, frisou que, além desses dados, preocupava-o, logo à partida, “a atitude dos encarregados de educação e a mensagem que estão a passar aos seus filhos”. É que, “numa cidade tão pequena em que é fácil deslocar-se em 20 a 30 minutos para a escola a pé, porque é que os pais insistem em levá-los de carro?”, questiona. “Acabam por perder mais tempo, o combustível não está barato, têm mais despesa e acabam dar passar essa imagem aos filhos de que nós para irmos a qualquer lado temos que andar sempre de carro e o trânsito torna-se muito complicado em relação à entrada da escola, os miúdos chegam atrasados às aulas”, enumera, notando que “é tudo uma complexidade, que não é só a questão da poluição, essa é grave, mas toda esta questão comportamental que afeta a deslocação dos miúdos para a escola, o stress ao longo da manhã é algo que que devia mudar de atitude”.

O mesmo responsável frisa que a escola tem projetos como o BioRainha, o aumento das áreas verdes dentro das escolas, nomeadamente na EB Santo Onofre e também no centro escolar onde foi retirado alcatrão para colocar uma zona de relva e de árvores, para dar o exemplo aos miúdos de como é importante trabalhar nesta área do ambiente”. Outro exemplo é o “Caminhamos Juntos”, em que “os professores vão com os alunos das várias escolas, até ao parque onde vão passar a manhã a fazer atividades e tudo isso tem a ver com o facto de nós mostrarmos aos miúdos que podemos andar dentro da cidade a pé e que não precisamos de andar sempre de carro”, reforça, esclarecendo que já fazem esta atividade há cerca de 10 anos. Só que “depois estão os pais a dar o exemplo constantemente do carro ir para todo o lado, até por isso existe aqui um contrassenso entre a atuação da escola e os pais”.

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