Situada na base da serra com o mesmo nome, a Amoreira tem cerca de mil habitantes e incorpora uma zona de praia conceituada

Amoreira, Casal do Convento, Casal dos Felícios, Casal do Fevereiro, Casal do Janeiro, Casal de Água, Casal do Vale do Barracão, Moinho Novo, Moinho da Praia
Pontos de Interesse
Igreja Matriz de Nossa Senhora de Aboboriz; Capela de Jesus, Maria e José; Chafariz; Parque do Rio de Cima; Praia do Vale de Janelas; Cruz
Equipamentos públicos
Extensão de saúde
Equipamentos de ensino
Escola básica de 1º e 2º ciclos; Jardim de infância
Associações
Grupo Desportivo Amoreirense; Centro Social Cultural e Recreativo da Amoreira;
Datas festivas
Festa em honra da Nossa Senhora de Aboboriz no 1º domingo de setembro; Festival da Ginja no final de junho; Comemoração do Dia Nacional dos Moinhos no 1º fim-de-semana de Abril
Principais atividades económicas
Agricultura, indústria, comércio e turismo

Mas, segundo o historiador Beleza Moreira, citado pelo site da Junta de Freguesia, a Amoreira terá sido morada de um edil da cidade de Eburobrittium.
Por outro lado, próximo da Amoreira encontra-se a Ferraria, “célebre por ter sido, outrora, uma forja ou fábrica onde os árabes faziam as suas armas”.
Mais tarde, já no século XII, a Amoreira desperta o interesse das casas reais. A fertilidade dos campo agrícolas, com a existência de pauis, são um atrativo também para os mosteiros de Chelas e de Alcobaça, que aqui possuíam algumas granjas.
A caça abundante e a pesca fácil na Lagoa de Óbidos (que até já terá chegado à Amoreira) foram outros atrativos.
A freguesia da Amoreira tem uma história antiga, com testemunhos da passagem dos romanos, dos mouros, dos monges e dos reis, entre outros…
O Porto de Lamarossa
Na monografia “O Concelho de Óbidos na Idade Média”, de Manuela Santos Silva, a autora faz referência ao porto de Lamarossa, na Amoreira.
“Os cursos fluviais eram também canais propícios à circulação dos produtos transacionáveis e não admira assim que se encontrem tantas alusões a portos nestas povoações do interior dos concelhos. Em A-dos-Ruivos encontramos o Porto da Ribeira, na Amoreira o de Lamarossa, no Bombarral o Porto do Gado e junto do “logo da Virgem” o Porto da “Payçaa”.
A natureza do comércio local ou mesmo regional não nos sugere que estes portos fossem todos eles locais de cobrança de portagem, mas seriam certamente sítios privilegiados para a realização de um comércio que não provindo de muito longe, poria, contudo, em contacto, comerciantes e população de diversas comunidades mais ou menos vizinhas”.
Uma terra de lendas
Diz-se que num soalheiro dia de Verão uma jovem pastora perseguia o seu rebanho pelas matas quando “ao erguer o olhar descobre, maravilhada, no tronco carcomido de um loureiro, formosa imagem da Mãe de Deus”, conta Luís Miguel Garcia, na obra “Óbidos – 20 anos de Intervenção Autárquica 1980-2000”.
“Alertado corre o povo alvoraçado, que resolve construir no local ermida em honra da virgem, passando o sítio a chamar-se Senhora de Bobriz, mais tarde transformado, pelo costume do povo, em Aboboriz”, explica o mesmo autor.
“O templo sofreu graves danos por efeito do terramoto de 1755, mas foi reconstruída através do empenhamento do pároco de então e do trabalho esforçado da população local”, refere a Junta de Freguesia.
No Altar-Mor dessa igreja encontra-se a imagem de N. Sra. de Aboboriz, padroeira da freguesia. “A origem etimológica da palavra perde-se no tempo e não é clara, dando lugar a lendas e explicações variadas, mas sempre ligadas a uma origem mourisca”.
De 7 mil hectares para 2 mil
O Vau pertenceu à freguesia da Amoreira, tendo sido desanexado em 1747, conta-se que devido ao salvamento de D. Pedro, que a pescar na Lagoa de Óbidos teria caído à água e sido salvo por pescadores. Para os premiar, concedera-lhes o desejo de tornar o seu lugar em freguesia.
Já no ano de 1925 dá-se nova desanexão na freguesia da Amoreira, aí criando a nova freguesia do Olho Marinho.
Com este segundo desmembramento a freguesia da Amoreira ficou com apenas 1.939 hectares dos 7.061 que possuía aquando da sua formação como freguesia. ■
Segredos escondidos
Um mosteiro do séc. XVI
Na Amoreira, no século XVI, foi mandando edificar o Mosteiro de Vale Benfeito, por D. Catarina de Áustria. O objetivo era acolher monges da ordem de São Jerónimo da ilha Berlenga, onde eram constantemente saqueados por corsários.
Segundo Luís Miguel Garcia, na obra “Óbidos – 20 anos de intervenção autárquica 1980-2000”, o mosteiro dispunha de uma arquitetura em cruz e no seu interior albergava pinturas de Josefa de Óbidos. Teria também esculturas, biblioteca e dispunha de um órgão.
Durante as invasões francesas foi pilhado e danificado, mas é a extinção das ordens religiosas que dita o seu fim. A pedra que encima o edifício dos Paços do Concelho de Óbidos veio deste mosteiro na década de 1940.
Atualmente restam apenas vagos vestígios, mas um grupo de estudiosos e investigadores encontra-se a fazer um trabalho de recolha de informação para obter mais esclarecimentos sobre o mosteiro. ■









