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Gabinete acompanha mais de 70 vítimas de violência doméstica

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Num ano quase que duplicou o número de acompanhamento de vítimas de violência por parte do GAAVVD das Caldas da Rainha

O Gabinete de Atendimento e Apoio à Vítima de Violência Doméstica (GAAVVD) das Caldas da Rainha acompanha atualmente 71 vítimas, um número consideravelmente superior às 42 que acompanhava no ano passado. Destas, 70 são mulheres e um homem. As vítimas de violência física e psicológica acompanhadas neste serviço têm idades compreendidas entre os 18 e os 90 anos, e são maioritariamente portuguesas, mas também de nacionalidade brasileira, venezuelana e moçambicana. O GAAVVD presta-lhes apoio social, acompanhamento psicológico e aconselhamento jurídico.

Os dados foram apresentados por Catarina Pereira, do GAAVVD, durante a conferência “À conversa com…poder, género e violência”, que decorreu a 27 de novembro, no âmbito do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher. A mesma responsável partilhou que, a nível nacional, até 30 de setembro, houve 19 homicídios em contexto de violência doméstica, dos quais 16 foram mulheres. Segundo dados da APAV, entre janeiro e agosto, 75% dos casos registados eram de violência doméstica, sendo a maioria das vítimas mulheres e prevalecendo o sexo masculino como pessoa agressora.

A funcionar desde 2014, o gabinete caldense tem vindo a reforçar respostas a nível social, psicológico ou jurídico, mas “também em áreas fundamentais como a prevenção, sensibilização e a capacitação”, salientou Catarina Pereira. Também a vereadora Conceição Henriques defendeu que é preciso apostar no empoderamento e capacitação das mulheres pois, ao fazerem-no, estão a retirar espaço aos homens para exercer violência sobre elas. Explicou que este evento pretendeu ser um desses casos, para capacitar as pessoas a poder atuar em situações de violência de género e violência doméstica, realçando a importância das mulheres marcarem presença. Dois dias antes, cerca de uma centena participou na caminhada “Nós Caminhamos por elas”, que decorreu pela cidade e que, simbolicamente, mostrou solidariedade em prol da eliminação da violência contra a mulher.

Um longo caminho de 60 anos
E porque a “violência doméstica é, acima de tudo, uma violência de género”, como salientou Adriana Brites, psicóloga do Gabinete de Psicologia da autarquia, a oradora convidada, Rute Azevedo, psicóloga clínica da saúde e técnica superior da CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, falou sobre os “tempos estranhos” que a sociedade está a atravessar neste campo. Desde logo, pelo facto de países, como a Turquia e outros, terem retirado recentemente a sua assinatura da Convenção de Istambul (tratado internacional juridicamente vinculativo para a prevenção e combate à violência contra as mulheres e à violência doméstica, que entrou em vigor em 2014). A também psicóloga clínica e da saúde, natural do Bombarral, explicou que o sexismo não atingiu ainda o estatuto de questão social e que, embora se tenha registado um avanço em Portugal nos últimos 50 anos, ainda “não estamos no mesmo nível de oportunidades e igualdade de direitos que o homem”. Apoiando-se em indicadores nacionais e internacionais explicou que serão necessários 60 anos para se alcançar a igualdade de género. E porque vai demorar tanto tempo? “Porque há questões de base que nunca se resolvem, de um lado vamos fazendo algum trabalho e do outro anda para trás”, disse, dando como exemplo a violência doméstica em que, por um lado foi criado um conjunto de respostas que permite à pessoa ter ajuda e de forma gratuita, mas por outro, não há acesso aos cuidados de saúde.

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A caminhada, organizada pelo GAAVVD, decorreu a 25 de novembro
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Edição #5625

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