Pera no Peral resulta da iniciativa privada de Rui Batista e conta com 12 esculturas de peras, um baloiço e uma moldura, além de loja com café
Abriu no passado sábado o Pera no Peral, um novo parque temático e interpretativo sobre a pera rocha que se situa naquela localidade do concelho do Cadaval. Este pequeno espaço permite aos visitantes conhecerem um pouco mais desta fruta que é embaixadora da região Oeste.
O Pera no Peral é um sonho de Rui Batista, que saiu deste lugar com 19 anos para emigrar para o Canadá e por lá esteve cerca de 40 anos, até regressar há três anos. Aí começou a desenvolver este projeto em torno da temática da pera, que já tinha pensado há mais de 15 anos. Trata-se de um projeto muito pessoal. “Fui criado nesta propriedade, vinha para aqui com os meus avós, vínhamos apanhar os frutos e a minha avó com todo o carinho repartia os mais doces e são coisas que nos marcam muito e queria fazer algo em memória dos meus avós”. Daí que a avó Olívia apareça retratada numa pintura de Isa Marita.
Por outro lado, como o Peral é considerado o Solar da Pera Rocha, pelo que sentia que fazia sentido chamar a atenção para este fruto tão típico e dá-lo a conhecer, desde a sua história às caraterísticas que o distinguem. “O visitante pode inserir-se no pomar, por exemplo, na época da floração, que é muito bonito, e também com o fruto em crescimento e a apanha, que está tão enraizada em nós”, realça.
A possibilidade de apreciar a paisagem, marcada pelos pomares, encarreirados, e a Serra de Montejunto ao fundo, é um dos atrativos desta propriedade que está na família de Rui Batista há mais de um século.
No parque temático encontramos 12 esculturas de pera em tamanho grande, umas dedicadas a dar a conhecer a história do Peral e também da Pera Rocha, outras mais vocacionadas para a diversão das crianças e para os registos fotográficos, para o qual conta ainda com uma grande moldura. O parque tem ainda um baloiço panorâmico e uma loja de apoio que apresenta uma grande variedade de produtos alimentares com pera Rocha (como licor, pastéis e o próprio fruto em vinho tinto, fresco ou desidratado) e sem pera (como mel, biscoitos, bolos e vinhos), bem como os chamados souvenirs em torno deste ex-libris.
Esta loja funciona também como um espaço expositivo-museológico onde se dá a conhecer as diferentes fases da pereira.
O Pera no Peral funciona de quarta-feira a domingo, entre as 10h00 e as 18h00 (no Inverno. No Verão encerrará mais tarde) e a entrada é livre.
Com a abertura deste local foram criados dois novos postos de trabalho.
No futuro os responsáveis pretendem fazer parcerias com entidades relacionadas com turismo, mas também escolas e lares, por exemplo, proporcionando visitas.
O projeto foi totalmente financiado pelo próprio, que deixou um convite aos leitores da Gazeta das Caldas: “que venham visitar e desfrutar do espaço e aprender mais sobre a Pera Rocha do Oeste”.
O presidente da Câmara do Cadaval, Ricardo Pinteus, marcou presença na inauguração e, à Gazeta das Caldas, mostrou-se orgulhoso desta iniciativa. “Fazem falta estes projetos do setor privado”, frisou.
O autarca destacou esta ligação da Pera Rocha ao Turismo, mostrando-se esperançado de que possa vir a trazer muitos visitantes ao concelho.
Numa época em que a Pera Rocha vive momentos “difíceis”, o edil cadavalense assumiu que estão “muito preocupados, por isso temos tomado a liderança no Oeste desse combate ao flagelo, principalmente, ao fogo bacteriano”. A autarquia tem disponibilizado os seus técnicos para tentar ajudar produtores e associações a “minimizar o impacto”.
Ricardo Pinteus frisa que a Pera Rocha “é o mais forte componente da nossa economia” e revelou que o município será um dos primeiros a “ter um pomar arrancado coercivamente, não é o que queremos, mas é um exemplo que estamos a dar, porque alguém tem que tomar conta” destes terrenos, dado que “o abandono dos pomares é uma das principais fontes de disseminação da doença”.
Este que será arrancado é um pomar no Cercal. “Temos notificado vários proprietários para os sensibilizar para este problema” e alguns já procederam à retirada das árvores dos seus terrenos. Uma das grandes dificuldades neste processo tem sido a notificação de proprietários e herdeiros de alguns dos terrenos.







