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Misericórdia de Óbidos edita livro sobre os Mamposteiros

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A história de gente “pouco importante” que se tornou importante dentro das misericórdias, ao recolher esmolas para a instituição

Os Mamposteiros da Misericórdia da Vila de Óbidos (1615-1694) intitula o mais recente livro editado pela Santa Casa da Misericórdia obidense e apresentado a 28 de novembro. Anualmente, na última sexta-feira de novembro, aquela instituição lança um livro e este foi o 18º a ser editado.

Mas o que são mamposteiros? De acordo com o historiador e autor da obra, Ricardo Pereira, tratavam-se de pedidores oficialmente autorizados para recolherem esmola (podia ser dinheiro ou bens alimentares) numa altura em que, com o aparecimento das misericórdias, no século XVI, os mais pobres foram proibidos de pedir porta a porta. Todas as Misericórdias do país tinham esta “espécie” de funcionário e, no caso de Óbidos, sabe-se que estes foram uma presença constante desde 1572 e até 1708. “Os mamposteiros eram eleitos pela mesa administrativa por um ano, renovável e, em caso de falecimento, podia ser substituído pelos filhos ou genros”, explicou Ricardo Pereira, acrescentando que pediam as esmolas aos domingos e dias santos. De acordo com o historiador, estes homens eram “auxiliares muito importantes para a arrecadação de esmolas das Misericórdias e foram fundamentais para que estas pudessem enriquecer o seu património e ajudar os mais pobres e necessitados”.

O exemplar, com a relação de todos os nomes dos mamposteiros que faziam parte do antigo termo de Óbidos, entre 1615 e 1694, “é único” e foi agora editado pela Misericórdia, contendo o facsimile do documento original. Na sua elaboração, o historiador contou com a colaboração de José Alberto Duarte e a Joaquim António (Quitó), que também o têm acompanhado nas publicações anteriores. No próximo ano Ricardo Pereira vai escrever um novo livro, juntamente com João Pedro Tormenta e José Alberto Duarte, de análise do “Tombo da Fazenda de D. Pedro II”.

O provedor da Misericórdia de Óbidos, Carlos Orlando, lembrou que estas instituições, fundadas a partir de 1498, foram as confrarias mais importantes em Portugal do século XVI ao século XVIII. Destacou que a rainha D. Leonor, além de ter criado as Misericórdias, protegeu as artes e as letras tendo sido, juntamente com o irmão, os maiores patronos de edição de livros em Portugal.

O provedor lembrou ainda que a Misericórdia obidense, em parceria com a Associação de Defesa do Património, tem vindo a recuperar todo o seu património, principalmente o imaterial e a “enriquecer a oferta cultural, tratando e catalogando todo o seu acervo”.

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Edição #5625

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