
“Quem de vós acha que entre a população que vive em Portugal há 20% de imigrantes?”. Foi esta a primeira pergunta que Pedro Calado, alto comissário para as Migrações, colocou à assistência. Seguiram-se outras perguntas, às quais o convidado solicitava a mão no ar a quem estivesse de acordo: “Considera que os imigrantes ficam com os empregos dos que cá estão? Quem acredita que Portugal é o melhor país para integrar os migrantes?”.
Com o objectivo de desmistificar algumas situações, Pedro Calado respondeu recorrendo a factos comprovados estatisticamente. “Portugal tem menos de 5% da sua população estrangeira”, afirmou, contrapondo que outros países como o Luxemburgo tem 45% de população estrangeira. E há ainda países de fora da União Europeia, como a Suíça, os EUA ou o Canadá que “têm mais de metade da sua população composta por estrangeiros”.
E ainda há mais uma questão: desde 2010 que Portugal tem um saldo natural negativo pois morrem mais pessoas do que aquelas que nascem, contou Pedro Calado. A excepção está apenas em 2015, ano em que os nascimentos aumentaram. O problema é que a diminuição registada no número de pessoas é de tal ordem que “estamos próximos de uma tempestade demográfica perfeita”, disse o convidado, geógrafo de formação.
Pedro Calado ainda deu a conhecer que entre os imigrantes há novo perfis. Além dos estudantes internacionais, também “têm vindo a aumentar o número de reformados que procuram “a sua Florida” em terras lusas”.
São várias as nacionalidades que escolhem Portugal para vir aproveitar os dias de lazer depois da vida activa e beneficiando de um regime fiscal mais favorável.
Desde 2007 mais de 300 mil pessoas imigrantes pediram a nacionalidade portuguesa. O alto comissário deu também a conhecer uma inversão histórica que se vive na última década: “há entre quem chega mais mulheres do que homens, enquanto antes os segundos vinham sempre em maior numero e só mais tarde chamavam as respectivas famílias”, disse o orador. Continuam a vir imigrantes de países como Brasil, Cabo Verde, Ucrânia, Angola e China.
Entre os dados apresentados, há outros interessantes, tais como o facto dos imigrantes serem mais jovens do que a população portuguesa e, em termos de ocupação profissional, serem sobretudo empregadas de limpeza, vendedoras de loja e cozinheiras. Os homens, por seu lado, trabalham como vendedores de loja e ainda na indústria extractiva e na construção.
E se em 1981 só 1,4% dos imigrantes eram empregadores, em 2011 passaram a ser 5,2%. Há outras percentagens que foram vistas na conferência e que se prendem com o facto de “58% dos imigrantes estarem a trabalhar, enquanto que apenas 49% dos portugueses integram o mercado de trabalho”. Pedro Calado referiu também que “todos os meses nos centros de emprego portugueses há 20 mil postos de trabalho que não são preenchidos”.
Quanto à Segurança Social, o saldo é positivo já que as prestações sociais dos imigrantes, mesmo no pico da crise, foram sempre superiores a 200 milhões de euros para a Segurança Social.
Por tudo isto, Pedro Calado conclui que os imigrantes em Portugal “não são problema, pelo contrário, serão parte da solução para o problema demográfico de Portugal e até da Europa”.
Portugal está ainda classificado a nível internacional como o segundo melhor de 38 países a acolher os imigrantes (o primeiro é a Suécia). Por isso, diz o alto-comissário, o país “devia orgulhar-se por ser um exemplo nesta área”.
À espera dos refugiados
António Moreira, da delegação Centro do SEF, deu a conhecer como está a ser preparado o plano para receber os imigrantes que vêm dos campos de refugiados de Itália e da Grécia. Portugal deverá receber 4574 pessoas, mas na verdade só não sabe quando é que elas chegam.
O país está neste momento preparado para receber cerca de 3000 refugiados. Só que a verdade é que ninguém consegue explicar porque é que, até agora, dos primeiros 100 que estavam previstos, apenas 26 pessoas estão actualmente a viver por terras lusas. Muitos, considera o convidado, não conhecem o país e outros querem seguir para outros países do norte da Europa onde já têm familiares.
E o que implica ter o estatuto de refugiado em Portugal? “Dá acesso a quem chega ao mercado de trabalho, ao sistema de saúde, à formação e à aprendizagem da língua”, responde o convidado, acrescentando que os cidadãos refugiados “podem pedir asilo no primeiro país onde entrarem na Europa”. O responsável do SEF revelou-se contra a atitude daquela família portuguesa que foi buscar uma outra a um campo de refugiados explicando que é algo que nunca ninguém deveria fazer. Os portugueses poderiam ter sido detidos em qualquer país no regresso e ter sido acusados de auxilio à emigração ilegal. O convidado referiu-se também aos imigrantes que vivem em Portugal e sublinhou que estes têm os mesmos direitos que os cidadãos portugueses e, como tal, “em situação nenhuma podem receber menos, mesmo que se encontrem ilegais”. Explicou ainda que o SEF também fiscaliza as empresas e também recebe denúncias sobre quem infringe as leis do trabalho em Portugal.
Rui Marques e Ana Gomes nas Caldas
No próximo dia 1 de Fevereiro, Rui Marques, da Plataforma dos Refugiados, vai estar nas Caldas para uma conferência a convite da Escola Raul Proença e a partir das 17h00 vai estar na Secundária Bordalo Pinheiro. Esta iniciativa dirige-se sobretudo às comunidades escolares.
A última conferência deste ciclo, organizado pelo Conselho da Cidade, terá lugar no dia 20 de Fevereiro e será com a deputada europeia Ana Gomes. A convidada vai estar acompanhada por um elemento da AMI e ainda com o jornalista Carlos Guerreiro. O evento terá lugar na Escola Secundária Bordalo Pinheiro, entre as 15h00 e as 18h00.








