
Este livro de 146 páginas surge atribuído a Félix da Lapa, um «padre folgazão e descarado». Desse descaramento damos nota de três momentos. Na página 32 «Um presente de amigo»: Envio, caro amigo, na condeça /Um par de cornos belos e chibantes /
Foram eles dum boi dos mais possantes / E valem, a meu ver, bem uma peça // Que aceites o presente bem me interessa / Por isso os escolhi tão elegantes / Mas creio que estarão muito distantes / Desses dois que te enfeitam a cabeça.» Na página 65 o poema «Aos sacanas» ressalvando que a palavra fanchono ao tempo significava «pederasta activo»: «O ofício de sacana / De aprender não é custoso / E sem o peito cansar / É divertido e rendoso // E aí está a razão / Porque no temo presente / De tal raça de sacanas / Não se lhe acaba a semente //Entre o bando de janotas / Vão contentes figurando / E na loja do Marrare / Muitas partidas jogando // Outros vejo no teatro / Repimpados nas cadeiras / Afectando de talento / Mas dizendo só asneiras // Alguns lá nos camarotes / Com os fanchonos favoritos / Penteados engomados / Presumidos de bonitos // Muitos as ruas passeiam / Engomadinhos janotas / De casacas de alto preço / E de mui lustrosas botas //Até já ouvi dizer / A um famoso financeiro / Que o ofício de sacana / Dá carradas de dinheiro.» Para conclusão uns conselhos dados na página 142 às «meninas da vida»: «Vestir com muita elegância / Usar botinhas da moda / Dançar no Café Concerto / Dos janotas entre a roda //Beber genebra sem conta / Dar ao licor avançada / Arranchar à brincadeira / Já depois de empiteirada //Ir ao passeio da tarde / Arranjar lá seu freguês / Confundir-se com as meninas / Que se prezam de honradez // Morar em casa de luxo / Ter a cama bem macia / Não querer outra alcoviteira / Que não seja a sua tia».
(Edição: Apenas Livros)





