
Divididas em dois grupos, que se revezam semanalmente, as senhoras chegam ao “local de trabalho” pelas 13h30 e só dali saem ao final da tarde. Durante todo esse tempo fazem sonhos, filhós para beber com o café da avó, cozem pão de trigo simples, com chouriço e com torresmos e pão de milho com sardinhas.
“Chegamos a cozer 50 quilos de farinha por semana”, conta Lurdes Pereira, uma das voluntárias que participa nesta iniciativa, que decorre desde Novembro do ano passado e já rendeu mais de 7.000 euros para ajudar à construção do novo templo.
As voluntárias vendem o pão e os bolos a quem ali se dirige, por vezes de localidades vizinhas, mas também já recebem encomendas de uma semana para outra.
“As pessoas vem cá e acabam por beber um café e estar algum tempo no convívio, o que também é de salutar”, acrescenta Conceição Santos, que também pertence ao grupo de voluntárias.
A estas voluntárias juntam-se outros, como o carpinteiro da terra que construiu um armário que serve de despensa para colocar os produtos. Também há pessoas que oferecem óleo, ovos, farinha, fruta e outros produtos necessários à confecção dos bens.
Maria Vieira, que vende produtos hortícolas no mercado, é uma dessas pessoas. A semana passada ofereceu laranjas e ovos para colocar nos sonhos que as voluntárias confeccionavam mesmo ao lado da sua banca.
A vendedeira reside na freguesia e considera que a igreja é uma obra necessária. “Já trabalho para isto há 18 anos”, conta, lembrando que sempre colaborou com o que podia para a edificação do novo templo.
A obra, que já é uma aspiração antiga, deverá estar pronta até ao final de 2014, sob pena de a família Pinto Basto Lupi voltar a reaver o terreno doado para esse efeito.
PRESIDENTE DA JUNTA ESCREVEU AO PAPA E A JOSÉ MOURINHO
“Acredito que a igreja começará ainda a ser feita durante o ano de 2012”, afirma o presidente da Junta de Freguesia das Gaeiras, Eduardo Silva, que também integra a comissão de angariação de fundos para a sua construção, que é presidida pelo pároco e envolve também um grupo de voluntários, especialistas em várias áreas e que acompanham as várias etapas do processo.
O responsável adianta ainda que actualmente já foram angariados 96 mil euros e que aguardam a entrega do caderno de encargos, que deverá ser feita até 15 de Setembro, para contactar as empresas de construção que já se mostraram interessadas em construir o templo.
Apesar do valor da obra apenas ficar definido pelo caderno de encargos, Eduardo Silva acredita que este deverá ser inferior a 400 mil euros. A comissão comprometeu-se a arranjar 50% do montante total, contando para isso também com a venda de um terreno que já tinha sido doado pela família Pinto Basto ((e onde há 18 anos lançaram a primeira pedra para a construção da igreja) para ajudar a financiar a nova obra. A Câmara de Óbidos também se comprometeu a apoiar a sua concretização, com o restante financiamento.
O presidente da Junta também já escreveu ao Papa, ao treinador José Mourinho e ao reitor do Santuário de Fátima a pedir apoio para esta obra. Apenas obteve resposta do santuário, onde informavam “que não dariam apoio nesta fase, e que quando a igreja estiver concluída logo decidirão”.
Eduardo Silva diz também que as pessoas colaboram, mas que sentir-se-ão mais motivados para o fazer depois de verem a obra começada.








