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Sector das pescas também se está a adaptar, mas receia o impacto do novo coronavírus

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O sector das pescas tem-se vindo a adaptar face ao contexto de pandemia que vivemos. Apesar de não existir qualquer caso de infectados no sector, o coronavírus teve impactos imediatos: com o encerramento dos restaurantes a procura caiu (e a oferta também), assim como o preço médio de venda da maioria das espécies comercializadas. Os pescadores da região começaram, na semana passada, a ser testados e a adquirir equipamentos de protecção individual, enquanto que o Estado já anunciou medidas de apoio.

“Os valores reais da quebra são de difícil avaliação, mas estamos a falar de centenas de empresas da restauração que estão encerradas, onde o peixe de origem nacional e particularmente proveniente das lotas de Peniche e da Nazaré assumia um lugar de destaque, pelo que a quebra está a ser naturalmente muito significativa”, fez notar Jorge Humberto, presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca de Cerca (ANOP Cerco).
O mesmo responsável, questionado pela Gazeta das Caldas sobre o preço do peixe, salientou que “a análise da evolução dos preços do pescado permite observar que as tendências não são semelhantes, para os diferentes tipos de peixes que são colocados à venda”, revelando que nas “espécies tradicionalmente mais valorizados e que tinham a restauração e mesmo a exportação como principais destinos constatou-se uma redução muito significativa do seu preço médio”. Outras espécies , como por exemplo o carapau, conseguiram manter preços médios semelhantes aos dos anos anteriores, “mas o sentimento geral é de uma redução, que só não é maior porque do lado da oferta se verificou também uma forte redução, com a paragem de algumas embarcações, como foi por exemplo o caso da frota de cerco que prevê reiniciar a sua atividade na segunda quinzena de Maio e iniciar a pesca da sardinha  a partir do próximo dia 1 de Junho”.
Para apoiar este período, o Estado alocou sete milhões de euros para apoiar as paragens da frota, numa medida que Jorge Humberto considera “bastante importante para atenuar os graves problemas económicos e sociais que o sector da pesca atravessa actualmente”. Cerca de metade deste valor destina-se aos pescadores e empresas da pesca polivalente, 1,75 milhões de euros aos da pesca do cerco e outros 1,75 milhões de euros para a pesca de arrasto costeira.

SANTOS POPULARES E SARDINHAS

Outra questão que está a criar algum receio neste sector é a não realização das celebrações dos santos populares e uma consequente diminuição no consumo de sardinha e, provavelmente, também do preço médio. Uma das alternativas será escoar para a indústria conserveira. “Quanto ao preço médio em lota temos algum receio que ele será menor, mas o nosso desejo é que esta redução do preço médio possa vir a ser compensada pelo aumento das possibilidades das capturas e que o consumo em fresco da tradicional sardinha assado nestes dois primeiros meses de Verão consiga manter um nível razoável dos preços médios em lota”.
A quantidade de sardinha que é permitido pescar até ao final de Julho aumentou das 5 mil toneladas para as 6,3 mil (mais 26%). A ANOP Cerco já pediu entretanto que o total de capturas possa ser aumentado para as 20 mil toneladas, porque “está em total sintonia com o actual estado do recurso nas nossas águas” e porque “essa quantidade irá permitir reforçar o abastecimento de sardinha à indústria portuguesa de conservas, e permitir prolongar a actividade da frota de cerco pelo menos até aos meses de Outubro e Novembro”.
O sector das pescas não regista nenhum infectado, mas está a tomar medidas para garantir a protecção e segurança tanto no mar como em terra, como a aquisição e distribuição de equipamentos de protecção individual e a realização de centenas de testes de diagnóstico, tanto em Peniche, como na Nazaré.
Jorge Humberto deixou um apelo: “consumam peixe fresco das lotas portuguesas e a partir de 1 deJunho não percam a oportunidade de saborear a sardinha portuguesa, em nome da vossa saúde e da valorização do trabalho dos nossos pescadores”.

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Edição #5625

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