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Alcobaça e Caldas com propostas no Bom Dia Cerâmica!

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Os dois concelhos participaram na Celebração do Dia Internacional da Cerâmica com propostas para todos os gostos

Quem chega a Adega dos Balseiros no Museu do Vinho, em Alcobaça, tem a sensação de viajar no tempo e recuar algumas décadas. Em várias vitrines estão peças da típica louça de Alcobaça que foram pintadas nos anos 40 do século passado na Fábrica Raul da Bernarda. É uma das iniciativas do Bom dia Cerâmica! iniciativa que decorre em Alcobaça e, em simultâneo, em várias localidades da Europa onde a cerâmica tem um papel central.
A exposição designa-se “Teresa e os Pintores de Loiça Artística de Alcobaça”, e é uma proposta da Casa São Bernardo – Coleção de Faiança Família Couto Serrenho.
“Estão presentes cinco peças decoradas por cada um dos 15 pintores, num total de 75 objetos”, explicou Rui Serrenho, o proprietário da coleção que se dedica à louça de Alcobaça. Presentes estão jarras, jarrões, pratos, floreiras e gomis profusamente decorados com motivos florais e alguns animais.
O nonagenário Fernando Lisboa foi um dos pintores daquela fábrica que desfiou memórias importantes, relacionadas com as unidades industriais da região. “Passei por algumas fábricas em Alcobaça e também por outra em Setúbal”, referiu acrescentando que, em 1991, foi trabalhar para a Jomazé até à idade da reforma que chegou sete anos depois.
Na Raul da Bernarda trabalhou durante 26 anos – de 1946 até 1972 – e regressou em 1991.
“Aprendíamos uns com os outros dentro da fábrica”, disse Fernando Lisboa, que no entanto tem pena que o Cencal tenha vindo para as Caldas em vez de Alcobaça, local onde hoje o centro de formação já tem um polo. Segundo Alberto Guerreiro, responsável do Museu do Vinho – “temos neste momento dois museus Raul da Bernarda em funcionamento”, disse tendo em conta que as peças da coleção foram todas feitas naquela unidade industrial.
Foi também uma oportunidade para homenagear Fernando Lisboa, que ainda pinta e que foi acompanhado, na sessão de pintura ao vivo, por dois dos seus discípulos: João Quitéria e João Xavier. Este último foi seu discípulo e, mais tarde, seu patrão na última fábrica em que trabalhou, a Jomazé.
“Queremos continuar a fazer parte do Bom Dia Cerâmica! com eventos que homenageiam a cerâmica local”, disse a vereadora Inês Silva, acrescentando que na recriação do mercado do Século XIX, que está presente junto ao Mosteiro “também há a presença da cerâmica local”. Na sua opinião é também “um setor económico importante para este concelho”.
A vice-presidente da Câmara de Alcobaça referiu ainda que está a ser preparado o Congresso de Cerâmica que vai ser uma organização conjunta com a autarquia caldense.
“Estamos em fase de reuniões com técnicos dos dois municípios e vai com certeza colocar a cerâmica portuguesa no mapa da Europa”, rematou a autarca, antes de ter dado início à inauguração da mostra que contou com o reavivar de memórias com os pintores que guardam parte da história da cerâmica alcobacense e que, segundo partilharam na sessão, ainda se reúnem uma vez por ano.
“Chegámos a ser 27 pintores e conhecíamos o trabalho de cada um!”, disse João Xavier, acrescentando que era habitual entrar-se ainda garoto para as mesas de pintura das fábricas. No Museu Raul da Bernarda encontra-se o “Objeto Escolha #2 de Angus Suttie” que foi realizado durante o primeiro Simpósio de Cerâmica que teve lugar nem Alcobaça em 1987. Trata-se de uma escultura cerâmica que é também uma instalação museológica e que poderá ser apreciada até 17 de setembro.

Destaque à cerâmica e a Libório
No sábado, dia 20, o Museu António Duarte abriu as portas à realização de workshops de Pintura de Azulejo que foram dados pela ceramista Mariana Sampaio. De manhã ensinou Azulejo de Padrão Séc. XVI e à tarde Pintura de Azulejo Hispano-Árabe. Os participantes, de várias idades – incluíndo estrangeiros que vivem na região – fizeram um pequeno painel com quatro azulejos com as novas técnicas que aprenderam neste dia dedicado ao Bom dia Cerâmica!. A artista plástica vai durante um mês dar formação e corresponder a encomendas nos EUA onde ensina cerâmica portuguesa em parceria com uma ceramista norte-americana.
Eva Dobilas é húngara e há dois anos que vive na Amoreira (Óbidos). É frequentadora das formações de Mariana Sampaio que considera ótima formadora pois é “autêntica” . Trouxe alguns amigos para o evento pois “postei trabalhos que fiz num workshop e outras pessoas quiseram vir!”, rematou. Por seu lado, a caldense Fátima Gregório também gosta de aprender técnicas cerâmicas e este já é o terceiro workshop que faz. Além do mais considera que esta “é uma ótima atividade de fim de semana para relaxar e “destressar” do dia a dia”. E também porque gosta da forma como Mariana Sampaio ensina as diferentes técnicas. Realizou-se, no jardins do Centro de Artes, uma demonstração de olaria de roda com o ceramista Francisco Correia.
No Museu Barata Feyo abriu “Cria Tu”, a exposição de Naquib Hassamo, autor que pertence à Comunidade Ismaili. “No meu trabalho a geometria do espaço e dos elementos tem influência no processo criativo”, disse o designer de equipamento que teve formação em cerâmica no Cencal.
Os padrões e tramas que apresenta nos seus trabalhos em cerâmica estão relacionados com a arte e arquitetura Islâmica, que podem ser observados “nos espaços de oração que frequento”, rematou.
Às atividades do Bom Dia Cerâmica! juntou-se também a homenagem ao fotógrafo Edgar Libório (1986-2020). Logo bem cedo, sairam daquele espaço alguns participantes que quiseram fazer um percurso de BTT e que terminou também naquele local, lembrando assim o jovem que tinha como lema de vida “impossible is nothing”.
À tarde foi inaugurada uma exposição de fotografia de várias áreas, tiradas por este autor e que está patente no Espaço da Concas.
Durante todo o dia, vários DJs passaram música para recordar este autor que deixou saudades em todos os que com ele privaram.
Jovens casais, com filhos, reuniram-se no espaço exterior para partilhar memórias relacionados com este autor.
O fotógrafo esteve ligado à Câmara de Óbidos, à ESAD.CR e, nas duas localidades, tinha amigos de várias idades ligados aos mundos da música (foi DJ), da fotografia e das bicicletas. Faleceu em 2020. ■

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