
“A nossa escolha incidiu sobre este local porque estamos mais ou menos no centro do país e com bons acessos rodoviários e depois porque temos o mar em frente e a nossa actividade tem tudo a ver com o mar”, disse à Gazeta das Caldas, Belmar da Costa, director geral da AGEPOR.
Sobre a ideia antiga de fazer um porto de águas profundas em Peniche, o director-geral da AGEPOR diz que, tendo em conta o plano estratégico existente para o sector, que contempla novos terminais em Sines, Leixões e Lisboa (Trafaria), esse projecto é algo que fica, para já, afastado para as próximas décadas.
“Mas penso que Peniche encontrou um vocação muito grande nos desportos náuticos, sobretudo no surf e em outras actividades do mar, onde claramente consegue fazer a diferença”, acrescentou.
Esta associação é formada por 85 agentes de navegação, que são os representantes dos armadores nos portos. Os seus membros, devido à forte relação com o tráfego portuário apercebem-se melhor do que noutros sectores da evolução futura da economia do país.
“Nós conseguimos sempre antecipar o comportamento do comércio externo e conseguimos antecipar quando as exportações começaram a crescer. É claro que isso só não basta, mas é um indício de que poderá haver luz ao fundo do túnel no que diz respeito à crise”, disse o mesmo responsável, apesar de, recentemente, o INE ter divulgado que as exportações decresceram nos últimos dois meses.
Até agora todos os congressos destes profissionais se realizaram em cidades portuárias, mas, curiosamente, esta foi a primeira vez que reuniram num local com vista para o mar, precisamente na sala Berlengas (e com vista para aquela ilha) do hotel.
O evento contou com a participação de António Nogueira Leite, que fez uma dissertação sobre a economia portuguesa, muito baseada numa visão da mesma através da actividade bancária, e foi encerrado pelo secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro.
Na sua intervenção, o governante fez a defesa das políticas do governo, afirmando, tal como o primeiro-ministro, que não há outro caminho a seguir. “Não devemos vender aos portugueses a ilusão de uma saída fácil”, disse, acrescentando que é necessário baixar salários, pensões e juros a fim de reduzir a dívida pública.
Nesse mesmo dia Sérgio Monteiro tinha assinado o acordo de revisão das PPP com algumas concessionárias de auto-estradas, que permitiram poupar 258 milhões de euros ao erário público, sendo sua convicção que, após as negociações com as restantes concessionárias, esse montante – de resto, já está inscrito no Orçamento de Estado – chegará aos 300 milhões de euros. C.C.








