
Na sua intervenção em que resumiu partes da sua obra, referiu que a independência nacional está de novo em risco e considera que não existe um patriotismo europeu. O europeísmo hoje é a “classe política intelectual, os funcionários e as pessoas ligadas, quase umbilicalmente e por interesses, à União Europeia”, defendeu.
Jaime Nogueira Pinto, que também é autor da biografia de Salazar, de uma obra sobre a República e de outra sobre os últimos anos do Estado Novo, tem procurado, ao longo dos anos, cobrir o século XX português numa “perspectiva que não seja a politicamente ou esquerdisticamente correcta”, disse na sua intervenção.
E o tema da ascensão e queda “está muito na moda”, disse, destacando que tem tido um enorme tratamento ensaístico, sobretudo nos Estados Unidos. E, apesar do interesse actual, de acordo com o autor, este é um tema muito antigo e, referindo-se ao caso português, falou da ascensão do país com a saída do espaço europeu, há 600 anos, aquando da conquista de Ceuta, seguindo-se as navegações às ilhas atlânticas e depois para a costa de África e do extremo Oriente.
Jaime Nogueira Pinto considera que na primeira expansão portuguesa há uma ideia política e religiosa de cruzada e que depois se junta a necessidade económica e o espírito de aventura. “Na ascensão está implícita a queda”, disse, acrescentando que esta terá começado com a morte de Afonso de Albuquerque, em 1515, e a consciência do declínio do império do oriente. Depois, houve ciclos de ascensão e queda, que foram cada vez mais apertados.
Entre os pontos de originalidade portuguesa, o orador referiu o facto deste nunca ter sido um pais imperialista. “Tivemos quatro grandes fortunas, com as especiarias do Indico (século XVI), o açúcar do Brasil (século XVII), o ouro e diamantes do Brasil (século XVIII) e o café de Angola (século XX) e em Portugal não ficou nada, pois foi praticamente tudo gasto na defesa dessas terras”, disse. Já ao contrário, deu o exemplo da cidade de Bruxelas, que “foi construída com o sangue e suor do povo do Congo”. Também curioso, ainda que não original é, para Nogueira Pinto, o mito sebástico e a procura de um rei libertador.
O autor referiu também que pela Europa estão a crescer os partidos identitários, que são mais de protesto do que partidos alternativos. Por outro lado, estão a nascer movimentos nacionalistas dentro dos estados europeus, dando como exemplo a Catalunha que, acredita, caso seja feito o referendo, este resulte em 55% a favor da separação.
“A Europa hoje é uma coisa muito complicada”, reconheceu, revelando que o europeísmo é a “classe política intelectual, os funcionários e as pessoas ligadas, quase umbilicalmente e por interesses, à União Europeia”, concluindo que não há um patriotismo europeu.
Convidado a participar numa iniciativa integrada nas comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril nas Caldas da Rainha, o orador disse que ainda recentemente conseguiu ficar “chocado” com um inquérito concluiu que o 25 de Abril foi a dada mais importante de Portugal. “Mesmo que se seja um democrata fundamentalista não sei porque se considera esta data a mais importante. É não conhecer outras”, opinou.
Perante uma plateia de mais de uma centena de pessoas, Jaime Nogueira Pinto disse ainda que foi com “muito interesse” que respondeu ao repto para estar nas Caldas da Rainha, até porque a sua falecida esposa, Maria José Nogueira Pinto “tinha o seu coração ligado a esta terra”.
Fátima Ferreira
ferreira@gazetadascaldas.pt





