
Ao ficar desempregada, Anabela Capinha procurou um novo rumo profissional e dirigiu-se a um dos encontros semanais do Colab (espaço de trabalho colaborativo) com um bolo que deu a provar.
Dias depois estava a apresentar o projecto para desenvolver o “Capinha d’Óbidos”, um bolo de ferradura em que a receita está na sua família há 130 anos e cujo segredo apenas ela e a sua mãe conhecem. Público é apenas que a massa leva 12 especiarias e que o bolo demora seis horas a preparar, 45 minutos dos quais a amassar a massa à mão e a seco.
Actualmente, volvidos apenas seis meses, Anabela Capinha é a responsável pela Casa do Forno, no Espaço Ó. E trabalho não lhe falta. Para além das vendas para todo o país, está representada numa exposição no Brasil e, em Agosto, vai para uma feira em Espanha e depois para a Bélgica.
A jovem, natural da Gracieira (Óbidos), criou trabalho para si própria e já empregou uma pessoa.
Na próxima semana conta colocar mais duas trabalhadoras.
O bolo “Capinha d’Óbidos” é também o símbolo do trabalho colaborativo, em que a imagem e a embalagem foram desenvolvidas por “colabers”, fazendo do bolo o caso de sucesso que é actualmente.

A dietista Cláudia Marques chegou ao Colab há quatro meses para desenvolver um projecto na área da nutrição ecológica a que chamou “Eat like you mean it”. O objectivo é promover uma alimentação saudável, sustentável, local, justa, e que tenha o menor impacto possível no ambiente. Cláudia Marque criou também uma horta biológica e disponibiliza vários serviços, desde consultas de nutrição a consultoria e catering.
Ali nascem também sapatos, botas e sandálias à base de materiais reutilizáveis e sem recurso a energia eléctrica, malas feitas com restos de tecidos e com pegas de embalagens de plástico, ou porta-moedas feitos com frascos de champô. Há uma marca de roupa de criança e ainda uma loja comunitária, onde é possível trocar um serviço que podemos prestar por outro que precisamos.
DUAS MODALIDADES DE ACESSO AO ESPAÇO
Ao todo, o Espaço Ó ocupa um total de quatro mil metros quadrados. O edifício tem como espaço principal, no piso 1, o COlab, com cerca de 120 metros quadrados, que é constituído por uma área de produção, outra de brainstorming e uma terceira de interacção (comunicações e reuniões). Trata-se de uma plataforma de trabalho, onde os utilizadores cooperam, partilhando espaço, ferramentas, tecnologias e desenvolvendo ideias de forma mais eficiente.
No piso 0 encontra-se a LÓja, um espaço comercial de gestão partilhada, onde estarão à venda os produtos desenvolvidos pelos membros do COlab e também alguns produtos seleccionados da região. Já no piso -1 encontram-se disponíveis três oficinas, com apoio de copa, destinadas a artesãos e a trabalhos mais técnicos.
A área da antiga adega é destinada à realização de eventos, conferências, ou exposições e vai incluir mais uma livraria dentro do projecto Óbidos Vila Literária.
O acesso ao Espaço Ó é possível através de duas modalidades. Poderá ser um “Residente COlab”, ou seja, utilizador de todas as áreas e com espaço de trabalho fixo (por 70 euros mensais ou 35 euros semanais), ou através do “Passe Ó”, que é atribuído por selecção aos melhores projectos ou ideias que sejam apresentados à entidade gestora. Esta modalidade tem um custo mensal de 29 euros e o utilizador poderá usufruir do espaço de trabalho quatro dias por mês, tendo acesso à área de produção e ao apoio prestado pelos residentes. São exemplos deste tipo de utilização projectos como o bordado de Óbidos ou as jóias de bilros de Peniche.
Na apresentação do espaço, que decorreu no passado dia 13 de Junho, Pedro Reis, dinamizador do Colab, explicou que o conceito colaborativo está por trás da gestão do espaço e que este está a ser replicado em vários locais, não só em Portugal como no estrangeiro.
O presidente da Câmara, Humberto Marques, destacou que este projecto está inserido no programa “Activa-te”, que procura encontrar e promover os talentos existentes neste território. De acordo com o autarca, a criatividade existe em todos os sectores e “qualquer pessoa que tenha um sonho pode estar no Espaço Ó”, destacando a aposta que estão a fazer no desenvolvimento comunitário.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt





