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«Eterno Agora» de Padre António Rego

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ImageCom o subtítulo de «Conversas com o Deus de sempre», o Padre António Rego (n.1941) juntou neste livro 239 poemas que são o resultado de sete anos de orações lidas aos microfones da Rádio Renascença. Além dos poemas, o autor assina um prólogo e um epílogo, cabendo o prefácio a D. Manuel Clemente e a apresentação na contracapa interior a Roberto Carneiro. António Rego revela uma certa humildade no uso da palavra «conversas» para definir estes poemas que, na nossa leitura, surgem numa dupla linha ancestral. Por um lado «lemos» Michel Quoist e o seu livro «Poemas para rezar» (Morais Editora) com tradução de Lucas Moreira Neves e versão final de Pedro Tamen que escreveu: «A palavra, Senhor, é uma graça. / Tomei a palavra, Senhor, e estou inquieto». Por outro lado «lemos» Adélia Prado que numa entrevista recente afirmou a um jornal brasileiro: «Mística e Poesia são braços do mesmo rio. Deus deu-me a segunda mas a fonte é a mesma, o Espírito Divino.»
Este livro está dividido em dois grandes grupos; 190 poemas acompanham os vários ciclos do calendário litúrgico: Advento (21), Natal (16), Epifania (6), Quaresma (43), Tríduo Pascal (3), Páscoa (24), Ascenção (10), Pentecostes (12), Santíssima Trindade (13) e Tempo Comum (42). Os outros 49 poemas integram o capítulo «Calendário» de Janeiro a Dezembro.
A capa mostra o ramo de amendoeira por cima («espírito de sabedoria, inteligência e fortaleza») e a água por baixo; a água valiosa («A água vale mais que todo o petróleo do mundo») e também indispensável: «Ajuda-nos a sempre procurar / o oceano de misericórdia / que nos lava e reconcilia». Se tudo fosse levado à letra, a Terra ficaria deserta porque todos somos pecadores: «todos precisamos de Ti / Para que nos recebas / nos reconcilies e nos restituas a alegria / que anda perdida pelos escombros humanos / nas empresas, nos tribunais, nas famílias / nas prisões, nos antros da periferia / nos restos da cidade…» Mas a terra que ficaria deserta é a mesma onde o Natal tudo renova: «Deslumbra-me o teu presépio / Esconde mais do que revela / Mas é nessa névoa de humano / que vislumbro o divino.»
Conclusão provisória: todo o poema, tal como toda a oração, procura ligar de novo dois mundos separados pela noite, pela distância e pelo esquecimento. Não é por acaso que muitos poetas consideram a «Salve Rainha» um dos grandes poemas de todos os tempos.
(Editora: Oficina do Livro, Prefácio: Manuel Clemente, Capa: Maria Manuel Lacerda, Revisão: Sofia Gonçalves, Texto contracapa: Roberto Carneiro).

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Edição #5625

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