
Este livro está dividido em dois grandes grupos; 190 poemas acompanham os vários ciclos do calendário litúrgico: Advento (21), Natal (16), Epifania (6), Quaresma (43), Tríduo Pascal (3), Páscoa (24), Ascenção (10), Pentecostes (12), Santíssima Trindade (13) e Tempo Comum (42). Os outros 49 poemas integram o capítulo «Calendário» de Janeiro a Dezembro.
A capa mostra o ramo de amendoeira por cima («espírito de sabedoria, inteligência e fortaleza») e a água por baixo; a água valiosa («A água vale mais que todo o petróleo do mundo») e também indispensável: «Ajuda-nos a sempre procurar / o oceano de misericórdia / que nos lava e reconcilia». Se tudo fosse levado à letra, a Terra ficaria deserta porque todos somos pecadores: «todos precisamos de Ti / Para que nos recebas / nos reconcilies e nos restituas a alegria / que anda perdida pelos escombros humanos / nas empresas, nos tribunais, nas famílias / nas prisões, nos antros da periferia / nos restos da cidade…» Mas a terra que ficaria deserta é a mesma onde o Natal tudo renova: «Deslumbra-me o teu presépio / Esconde mais do que revela / Mas é nessa névoa de humano / que vislumbro o divino.»
Conclusão provisória: todo o poema, tal como toda a oração, procura ligar de novo dois mundos separados pela noite, pela distância e pelo esquecimento. Não é por acaso que muitos poetas consideram a «Salve Rainha» um dos grandes poemas de todos os tempos.
(Editora: Oficina do Livro, Prefácio: Manuel Clemente, Capa: Maria Manuel Lacerda, Revisão: Sofia Gonçalves, Texto contracapa: Roberto Carneiro).





