
Sexta-feira, 6 de Novembro, foi a vez de um português subir ao palco do CCC. O pianista Filipe Melo, acompanhado dos jovens músicos Romeu Tristão (contrabaixo) e João Pereira (bateria), aproveitou o concerto nas Caldas para apresentar, em primeira mão, a sua mais recente formação em trio, passados dez anos de ter lançado o álbum “Debut” com outros dois nomes.
Embora esta tenha sido a noite em que o grande auditório contou com menos assistência, o público presente vibrou com a actuação do trio, que presenteou a assistência com a “balada mais bonita do mundo”, nas palavras de Filipe Melo – “The Star-Crossed Lovers”, da autoria de Duke Ellington, uma música inspirada nas peças de Shakespeare. Ao contrário do que pensava Filipe Melo, quando o convidaram a fazer um espectáculo da celebração dos 100 anos da I Guerra Mundial, também já se ouvia jazz nessa altura. O músico apresentou um dos temas que encontrou nas suas pesquisas e que, na época, se tocava nas trincheiras.
“Nunca tenho iniciativa de dedicar tempo às minhas próprias coisas porque estou sempre a tocar com muita gente, mas felizmente o CCC encostou-me à parede para fazer este concerto”, disse o músico, que também é autor de b
Apesar de não ser caldense, Filipe Melo vem às Caldas com frequência para visitar amigos. Considera o café Maratona como o seu retiro de inspiração para escrever e mantém uma relação estreita com o Conservatório.
A fechar o ciclo de concertos do festival esteve o baixista norte-americano Kyle Eastwood, ao lado de mais quatro músicos, numa noite que lotou por completo a sala de espectáculos. Além dos habituais aplausos, o público manifestou-se com assobios e vários “Bravo!”, perante uma actuação onde os solos de improvisação se prolongaram por vários minutos.
“Faltam patrocinadores para dar mais corpo ao festival”
Embora o Caldas Nice Jazz tenha “superado todas as expectativas”, como afirmou Carlos Mota, director do CCC, o evento continua a precisar de financiamento, especialmente para a divulgação do festival.
“Os custos promocionais do Caldas Nice Jazz ultrapassam em três vezes os custos dos espectáculos e conseguir que esta festa tenha reconhecimento nacional ainda carece de mais investimento”, sublinhou o responsável, adiantando que a organização não teve verbas para fazer publicidade no Metropolitano de Lisboa, nem nas caixas multibanco do distrito de Leiria, como estava pensado inicialmente.
Em curso, está uma candidatura do festival de jazz ao subsídio da Direcção Geral das Artes. “Ainda não sabemos se foi aceite”, esclareceu Carlos Mota. Se assim for, poderá contribuir para uma parte do financiamento do Caldas Nice Jazz 2016.
Contudo, “caso haja apoios”, Caldas da Rainha continuará a ser palco para uma próxima edição, onde se manterão os workshops pedagógicos com jovens músicos, garantiu Carlos Mota, que tem em cima da mesa a possibilidade de trazer a Gleen Miler Orquestra ao Caldas Nice Jazz 2016: “um grupo que custa o mesmo que o conjunto de todos os grupos deste ano”.
Tal como no ano passado, esta edição resultará num CD de compilação dos vários concertos.
Maria Beatriz Raposo
mbraposo@gazetadascaldas.pt





