
Homenageado pela sua actividade de docente exercida na cidade desde 1967, Luís Sá Lopes considera que há uma condição sine qua non necessária para se ser educador – é ser “bem educado”. E essa educação deve partir da família, mas também da escola, pois ele próprio, enquanto aluno, foi aprendendo as bases para a actividade de docente, sobretudo no terceiro ciclo e secundário. “E houve aqueles que me inspiraram positivamente e outros que não gostaria de imitar”, disse, dando o exemplo de dois casos extremos de professores seus.
Também a tropa lhe permitiu “conhecer melhor a nossa gente”. Ao ingressar no serviço militar, Luís Sá Lopes teve contacto com a “triste realidade do atraso cultural de muitos jovens”, sobretudo em Santa Margarida, onde aos milhares se tinham que preparar para a guerra colonial, “muitos analfabetos com uma ansiedade de aprender a sobreviver ao que os esperava”, recordou.
Em 1967 chega à Escola Industrial e Comercial das Caldas da Rainha, “a brilhar, acabada de ser inaugurada”. Pensava que seria uma passagem curta, mas acabaria por ali ficar, durante mais de 30 anos, primeiro como professor e depois como presidente do Conselho Directivo, já da denominada Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro.
“Creio que os alunos perceberam que eu gostava do que estava a fazer, que tinha uma boa formação e que falava com facilidade a linguagem deles. E sempre me preocupei em ir para além dos conteúdos formais”, recordou o docente. No seu discurso, Luís Sá Lopes disse que tentou ser justo, responsável, inovador e que, como tem um “temperamento contido”, foi bem aceite pela escola.
No início da década de 90 abraça um novo projecto, a Escola Técnica e Empresarial do Oeste (ETEO), que cresceu num clima “ajustado” à sua maneira de ser, disse. Sá Lopes, que ali exerce funções de director pedagógico, continua a acreditar que é possível ter um ambiente “confortável na escola, aliando a liberdade à responsabilidade”, destacando o grupo de trabalho “afinado” que forma com Filomena Rodrigues, também da direcção da escola.
O homenageado reconheceu ainda que os professores têm hoje muito mais trabalho do que ele teve no seu tempo, devido à carga burocrática que outrora não exisitia, e considera que a escola deve ser um “lugar de paz, um refúgio ou asilo dos jovens que têm em casa, ou na cidade, condições de violência e toda a espécie de carências”.
No seu discurso não poderiam faltar palavras à sua esposa, Isabel Sá Lopes, de que diz ter recebido, “em questões de educação e outras, há mais de 50 anos, uma verdadeira formação contínua”.
Autarca durante oito anos
Entre os convidados foram muitos os que quiseram partilhar histórias e as qualidades humanas do educador. Os professores, vestindo a pele de jograis, declamaram algumas quadras em homenagem ao amigo.
“Homem sério, honesto, de respeito”, foram alguns dos adjectivos usados pelo rotário e ex-docente da ETEO, Carlos Lopes, para caracterizar o também “homem de consensos e apaixonado pelo ensino”. Já o antigo director do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, Mário Gonçalves, falou também das actividades de índole política, social e cultural que Sá Lopes desempenhou. Após as autárquicas de 1985, foi vereador, pelo PS, com o pelouro da Educação durante oito anos.
Mário Gonçalves recordou ainda que ambos foram camaradas em campanhas eleitorais durante a década de 80 e depois conviveram com frequência, dadas as funções exercidas na ETEO e no centro hospitalar. Integraram também a primeira direcção da Liga dos Amigos do Museu de José Malhoa e a sua “actual condição de presidente da mesa da Assembleia Geral é por demais relevante, por simbolizar uma relação mais íntima com uma associação que ajudou a criar”, disse Mário Gonçalves.
A interagir com o agora homenageado há 25 anos, a directora da ETEO, Filomena Rodrigues, caracterizou-o como um homem de valores, gerador de consensos e, sobretudo, um homem de bem. “A marca que deixou nos jovens é uma semente que já deu e continuará a dar os seus frutos”, acrescentou, referindo-se à sua vocação de professor.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, destacou o contributo que Sá Lopes tem dado na formação dos jovens e enalteceu a capacidade que tem em “focar-se no essencial e não ligar muito ao acessório”. O vereador da Educação, com o Alberto Pereira, que foi também seu colega na Bordalo Pinheiro, considerou-o um “exemplo enquanto profissional e pessoa”.
Nesta cerimónia foi também admitido um novo elemento no clube rotário, a solicitadora Esmeralda Maurício.
Empresas proporcionaram Natal mais feliz a bombarralenses carenciados
A campanha solidária de angariação de cabazes de Natal, dinamizada pelo Rotary Club do Bombarral na época de Natal, permitiu levar “um pouco mais de calor da nossa comunidade a alguns lares menos afortunados do concelho”, refere Manuel Patuleia, deste clube rotário.
Cerca de 30 empresas doaram bens alimentares e produtos de primeira necessidade que permitiram que uma centena de agregados familiares tivessem tido uma época festiva mais confortada. O clube rotário manifesta, assim, o seu apreço, “por essas oferendas dignas, solidárias e socialmente avançadas, que nos permitiram partilhar um pouco do que nos sobra com os que quase nada têm para si”, refere em nota de imprensa.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt





