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Abel Soares Rosa apresentou livro sobre filmes e rock

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A loja de design acolhe tertúlias e apresentações de livros. No sábado foi a vez de conversar sobre filmes do rock

Censura fez cortes em filmes relacionados com a música. Abel Soares da Rosa estudou o que era rasurado

No sábado, 24 de janeiro, a Loja Linha da Vizinha, nas Caldas, acolheu a apresentação do livro “Os Filmes Rock’n’Roll e a Censura em Portugal- 1953-1974” da autoria de Abel Soares da Rosa e editado pela Âncora Editora.

O autor, que quis que o périplo de apresentações deste seu último livro decorresse nas Caldas, guiou os presentes na tertúlia pela história cultural portuguesa, mostrando como o rock’n’roll e o cinema foram campos de batalha entre a expressão artística e o controlo ideológico durante o Estado Novo.

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O livro, muito ilustrado, apresenta a investigação do autor sobre este tema, tendo recordado que a Censura e a Pide “não permitiam a criatividade, a energia, a arte e a diferença”.

Em relação ao cinema, nos anos 50, a Censura “estava sobretudo atenta à indecência”, contou o autor. Segundo Abel Soares da Rosa, “foi através do cinema que chegou o rock n’ roll, a Portugal”. Como não existiam discos não quer dizer que a juventude não estivesse interessada nestas novas sonoridades que chegavam do exterior.

Quando estreou Sementes de Violência, em vários países houve várias manifestações efusivas, com cadeiras a voar nas salas de cinema e estragos nas ruas. O filme contava com a canção Rock Around the Clock de Bill Haley no genérico.

Quando o filme estreou em Portugal, em 1955, “foi tudo muito pacífico”. Curiosamente em Portugal, mais do que o Elvis Presley notou-se maior influência de Cliff Richard e os The Shadows.

“Vivia-se num país cinzento, com grande aposta do Estado Novo na música ligeira”, disse o autor acrescentando que a Censura – onde trabalhavam militares, elementos da Igreja e até ligados à Cinemateca – via com maus olhos tudo o que era relativo às novas sonoridades.

No caso do filme “Hard Day’s Night” dos Beatles um dos censores escreveu no relatório que o filme não tinha qualquer problema, este estava no próprio grupo que “representava uma juventude irrequieta” e poderia até “causar motins anti-regime”. O filme acabou por estrear em abril de 1965, para 17 anos, e “foi um flop de bilheteira” ao contrário do resto do mundo onde foi um verdadeiro sucesso. Por terra lusas saiu das salas de cinema após dois meses de exibição.

Num dos relatórios da Censura acerca do filme Ragazzi del Juke Box – que era dedicado ao twist – escreveu-se o seguinte: “Reprovo a fita. Fitas como esta realizam na verdade a propaganda de uma vida frenética e perversa de uma juventude viciada e corrompida. Organizam uma sociedade liberta de todos os complexos da educação, que substitui a virtude e o pudor pela licenciosidade da vida instintiva, divorciada de toda a moral e asselvajada pelos ritmos modernos, bárbaros e excitantes”, leu o autor durante a tertúlia nas Caldas.

Abel Soares da Rosa é autor de outras obras que foram escritas recentemente em parceria com autores caldenses como Jorge Mangorrinha e também com José Santa-Bárbara. É ainda autor de um livro sobre os Beatles e Portugal que foi agora reeditado e abordado na tertúlia.

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