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Música, calendário e comida animaram DOCA

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A sede da DOCA sacolheu evento que aliou as artes gráficas à música contemporânea

O calendário Fora d’Água e o grupo Então, Zé? atuaram na sede da Associação de Design, Ofícios e Cultura. Autora e grupo são caldenses

“O Fora D’Água”, calendário para 2026 auto-editado por Sofia Pires (aka sozinha em casa), foi apresentado na sexta-feira, 23 de janeiro, na sede da DOCA (Associação Design, Ofícios e Cultura) nos Silos.

A autora é caldense, formou-se em Som e Imagem na ESAD.CR mas que também se dedica às edições. A jovem trabalhou pela Europa em produção de cinema mas sempre se dedicou às próprias edições, desde os tempos de estudante, na António Arroio.
Este seu trabalho do calendário é uma homenagem ao “Borda d’Água”, tal como explicou na sessão, para onde também trouxe outros livros artesanais e fanzines.

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A autora tem dedicado muito tempo ao estudo do Borda d’Água pois “é algo que eu adoro” e estuda com profundidade tudo o que se publica naquele almanaque. “A cada ano, vou gostando sempre mais”, contou a autora que tem várias versões e formatos do seu Fora d’Água. Sofia Pires como é uma investigadora atenta do Borda d’Água até já notou que a publicação já tem secções assinadas por uma mulher. Desta forma criou o Fora d’Água, contando que se trata de uma homenagem ao primeiro.

“Muitas das minhas edições têm leitores específicos”, contou Sofia Pires que também fez um livro artesanal para a sobrinha, que vive na Suécia que também apresentou nas Caldas.

No calendário-almanaque desta caldense assinalam-se dias como o do Twin Peaks (um filme norte-americano), o início do ano chinês, o 25 de Abril e o Dia da Eliminação da Violência contra as mulheres. “São datas importantes, muitas de luta a favor da democracia e que ainda nos permitem (por enquanto) viver em Liberdade”, contou a autora. Cada pessoa que comprou o almanaque de Sofia Pires deixou o seu contacto para que a autora possa enviar posteriores trabalhos.

Sofia Pires trabalha em escrita e auto-publicação e ensina vários tipos de público, coordenando workshops sobretudo em Lisboa. É uma autora que se importa com as questões sociais de como tal ensina o que sabe nos mais variados fóruns. “As edições que faço têm tiragens de 30 exemplares” e portanto defende que a edição independente “dá-nos autonomia e poder de realizar, algo que é raro nos dias de hoje”. Assim a caldense defendeu que uma fanzine independente pode hoje ser poderosa dado que vivemos num mundo onde “há desrespeito pelos direitos humanos. Segundo a autora hoje distribuem-se panfletos sobre os mais variados temas como sobre o aborto.

“De repente vejo fanzines a circular em zonas como no Intendente e de repente acaba por ser uma forma de rendimento para pessoas e associações”, disse Sofia Pires que acrescentou que não nos devemos esquecer que “uma folha A4 tem muito poder”.

“Então, Zé?” une músicos dos dois lados do Atlântico
Ao serão, e após uma feijoada que foi cozinhada no local, houve oportunidade para assistir à atuação da banda Então, Zé? que integra músicos de Portugal, Brasil e do Chile.

O grupo nasceu nas Caldas e é por cá que atuam. “A nossa música tem um lado teatral e inspira-se no tropicalismo, no rock psicodélico brasileiro e também na vanguarda paulista”, disse Fábio Beckert que é vocalista e compositor dos temas do grupo.

Além de Fábio Beckert, que é do sul do Brasil, o grupo integra Filipe Amorim (baixo), Pablo Dias (flauta) e Emanuel Coito (bateria).

“Escolhemos ficar nas Caldas pois esta é uma cidade de artistas”, disse Fábio Beckert que é músico profissional e que se dedica a vários projetos.

s poucas coisas que não gosta são o clima e algumas atitudes de xenofobia que existem de forma velada no quotidiano e “que fazem com que não nos sintamos tanto em casa” . Além deste grupo há outros projetos de música que estão ligados às Caldas e que primam pela multiculturalidade.

Eneida Tavares, elemento da DOCA, explicou que para além das atividades relacionadas com os elementos do grupo “também abrimos espaço para propostas que nos chegam do exterior”. Neste evento, juntou-se a apresentação do calendário e o pedido do grupo para atuar, “contrariando o habitual recolhimento, próprio do mês de janeiro”.

A DOCA está a planear um novo evento para março e será uma iniciativa em parceria com o Cineclube das Caldas. “As Caldas que neste momento está sem salas de cinema comerciais tem este projeto, iniciado na ESAD.CR e que se autonomizou”. Em conjunto apresentarão o filme cabo-verdiano “Hanami” e que vai tentar contar com a presença on-line da própria realizadora.

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