
Uma pequena preciosidade, a tratar com todo o cuidado: o livro “Origem do Real Hospital e da Vila das Caldas da Rainha” representado aqui quase nas suas dimensões originais: 14×10,50 cms. Com 38 páginas, mais capas, é seu autor D. Luis Vermell y Busquets, apelidado de “peregrino espanhol”, que viveu em Portugal na segunda metade de oitocentos, como pintor e escultor da casa do rei D. Fernando.
Informa em subtítulo que contem “mais alguma notícia interessante assim histórica como arqueológica, e também acerca da virtude das águas minerais da dita vila.” Este livro de dimensões liliputianas foi impresso na Tipografia Universal de Tomas Quintino Antunes, impressor da Casa Real, situada na Rua dos Calafates, nr. 110, em Lisboa, no ano de 1878.
Pela pena de Vermell y Busquets, vamos visitar a capela, que é uma pequena jóia construída junto ao Hospital Termal, como que a abraça-lo.
“Agora vamos às coisas artísticas, paleográficas, arqueológicas e heráldicas da formosa Igreja deste Hospital, que hábil arquiteto foi um tal M. Matias. A vistosa, caprichosa e dificultosa abóbada da capela-mor não é exagona (sic), como diz Jorge de S. Paulo, senão octógona; e o mesmo a falar do rico e próprio ornamento do portal da sacristia, adornado de várias jarras de açucenas, só diz duma «lazada egípcia» mais do que nela se lê, e sobre tudo por não confessar se ignorante, talvez do final da mesma inscrição que é a data em que se concluiu a capela, disso não fala, não. E esta incerteza bem se observa em todo o escrito do seu livro, pois umas vezes diz que todo o edifício se acabou em 1503 durante a sua construção de 18 anos que ele diz; outras vezes que se acabou em 1502, e outras em 1500, que é o mais provável e segundo me parece interpretar na data difícil da engenhosa fita enlaçada, e muito bem gravada inscrição na mesma com letras formadas igualmente de fitas e em relevo. Eis aqui o conteúdo da inscrição com a sua ortografia exata, que no original tem: a parte superior da data eu a tenho descoberto do estuque que a cobria há séculos.
Esa capela mâdou fazer amuito alta esclarecida he êlustrisima Rainha Dona Lianor molher do muito alto he potêtisimo Rei Dom Joham ho segundo. He se aquavou naera. [showhide]
O arco grande da capela-mor tem ondulações de muito gosto, e por ele corre um arabesco que em distância parece um bordado. Em cima do arco há três quadros antigos pintados sobre madeira que representam passagens da paixão de Jesus Cristo, parecem de estilo alemão e a sua boa composição foi muito difícil pelo local que ocupam; estão bastantes deteriorados ao que terão influído os valores das águas minerais. O altar-mor é de mármores jaspeados e a sua arquitetura participa da escola de Miguel Ângelo alguma coisa bastardeada, e o ornato em detalhe é mais «barroco» com pilastrazinhas, paródia de cariátides, porém tudo é de excelente execução mecânica. No segundo corpo do altar-mor se ostenta em bastante alto-relevo a majestosa imagem do Padre Eterno acompanhado de dois anjos; é grupo de mármore de Itália.,

A pia batismal feita em duas peças de pedra fina, é de forma octógona e de composição bastante rara na colocação de quatro animais quiméricos: o seu ornato é muito e de transição do gosto ogival ao do renascimento, transição que constitui o neste reino chamado «manuelino»”.
Retiramo-nos em silêncio…
Isabel Castanheira [/showhide]








