
O Caldas voltou a sair derrotado no Campo da Mata, desta vez frente ao Belenenses, por 1-2, num jogo em que criou oportunidades suficientes para discutir o resultado, mas voltou a ser penalizado pela diferença de eficácia.
O Belenenses entrou com mais posse e intenção de controlar o ritmo, mas a primeira grande ocasião pertenceu aos pelicanos. Aos 16 minutos, na sequência de um canto, Zé Ricardo apareceu a cabecear a rasar o poste, num lance que deixou o aviso. Seis minutos depois foi a vez de Gonçalo Barreiras tentar surpreender o guarda-redes Guilherme. Sem soluções e, ainda fora da área, o camisola 17 tentou surpreender com um remate colocado que voltou a a passar muito perto do alvo.
Na melhor fase do Caldas, o Belenenses chegou à vantagem, aos 34 minutos. Diogo Leitão conduziu pela esquerda, Edu conseguiu bloquear-lhe o caminho e fazer o corte, mas a bola sobrou para Wilson Eduardo e o avançado disparou pela área e finalizou com frieza perante Wilson.
A reação do Caldas foi imediata e eficaz. Aos 40’, uma boa combinação entre Tarzan e Clemente pela esquerda terminou com um cruzamento tenso para a pequena área, onde Gonçalo Barreiras apareceu ao segundo poste para restabelecer a igualdade. O Caldas cresceu até ao intervalo e ainda ameaçou num remate cruzado de Januário, já dentro da área, defendido por Guilherme. Foi novamente um lance à esquerda, em que o ala direito combinou com Clemente.
Na segunda parte, o Belenenses entrou a procurar ter maior controlo sobre as operações e acabou por se voltar a adiantar-se, ainda cedo. Aos 52’, Evandro Barros, antigo jogador do Caldas, ganhou a linha pela esquerda e cruzou para Wilson Eduardo, que, novamente bem posicionado e em progressão, fez o 1-2.
O Caldas tentou reagir, mas o meio campo do Belenenses foi competente a bloquear o do Caldas. Mesmo não conseguindo ganhar supremacia sobre a equipa da Cruz de Cristo, o Caldas foi capaz, a espaços, de chegar à baliza de Guilherme. Na retina ficou um remate de fora da área por Pipo, que voltou a passar muito perto do alvo. Aos 84 minutos, Matheus Palmério, de costas para a baliza, tentou um remate acrobático e obrigou Guilherme a uma defesa difícil. E no último lance da partida foi Gonçalo Chaves a levar o esforço até ao fim para um remate que saiu prensado por um defesa e obrigou novamente Guilherme a aplicar-se para evitar o golo do empate.
O Caldas somou nova derrota num jogo em que voltou a mostrar capacidade para criar perigo, mas em que os detalhes e a eficácia voltaram a pender para o lado do adversário.
José Vala: “O principal responsável sou eu”
José Vala considerou que a derrota frente ao Belenenses surgiu num dos jogos em que o Caldas apresentou mais qualidade nas últimas jornadas, mas admitiu que a equipa continua presa a uma espiral difícil de inverter. “Foi um jogo equilibrado. O Belenenses entrou melhor, tivemos alguma dificuldade, mas depois equilibrámos e, tanto na primeira como na segunda parte, fizemos talvez o jogo com mais qualidade dos últimos tempos”, afirmou o treinador.
José Vala aponta que a equipa continua numa fase em que qualquer erro tem sido fatal. “É difícil ganhar quando entramos nesta espiral de derrotas. Basta uma falha de concentração e é golo do adversário. Estamos com muita dificuldade em dar a volta a esta situação”, sublinhou.
O técnico assumiu a responsabilidade pelo momento da equipa e defendeu o grupo. “Não consigo apontar falta de atitude, vontade ou querer aos jogadores. Se não estamos a conseguir, é porque algo que eu devia transmitir não está a passar. O principal responsável sou eu”, afirmou, mostrando compreensão em relação a críticas internas, nomeadamente de Clemente.
Apesar de o quarto lugar continuar ao alcance, José Vala admite que o foco imediato não pode ser a luta pelos primeiros lugares. “Para uma equipa com sete derrotas seguidas, não faz sentido estar a falar dos quatro primeiros. O pensamento agora é como voltar a ganhar jogos.”
O treinador lembrou ainda o contraste com a primeira volta. “Éramos das melhores equipas a defender, permitíamos poucas oportunidades. Agora somos uma das mais batidas. Temos muitas falhas e isso tem acontecido nestes últimos jogos. Temos de dar a volta.”
O capitão do Caldas, Diogo Clemente, foi duro na análise após a derrota, assumindo responsabilidades e apontando o dedo para dentro do balneário. “Se houve outros dias em que critiquei arbitragens ou adversários, agora é a altura de criticar aqueles que tenho comigo. E eu como capitão sou o primeiro a ser criticado”, afirmou.
Clemente considerou inadmissíveis os erros cometidos pela equipa. “Continuamos a ser uma equipa de ‘meninos’, com erros individuais que coletivamente dão grandes erros. O que temos feito não é suficiente”, sublinhou, reforçando que o clube “não falha com nada” e que aos jogadores é pedido apenas que deixem tudo em campo. “Se temos deixado 100, temos de começar a deixar 200, porque não tem sido suficiente.”
Apesar do momento negativo, o capitão garante que a equipa não desiste. “Não atiramos a toalha ao chão. Enquanto for possível, vamos acreditar”, lembrou, embora reconheça que o foco tem de ser imediato. “Se isto não é suficiente, não vale a pena pensar muito à frente, é jogo a jogo.”
Clemente deixou ainda uma mensagem direta aos adeptos: “Os principais responsáveis são os jogadores. Se até agora não nos criticaram, comecem a criticar e a exigir mais, porque isto tem de mudar. Isto que temos feito nunca foi o Caldas e temos de voltar a ser o Caldas.”
Tiago Zarro destaca dificuldade imposta pelo Caldas
O treinador do Belenenses, Tiago Zarro, elogiou o Caldas após a vitória por 2-1 no Campo da Mata, sublinhando a exigência de jogar frente aos pelicanos, independentemente do momento que atravessam. “É um Caldas sempre difícil. Embora o momento não seja o melhor, foi exatamente aquilo que perspectivámos antes do jogo. Entrámos muito bem, houve uma reação do Caldas, passámos por algumas dificuldades e, quando o jogo não estava controlado da nossa parte, acabámos por fazer o golo. Cinco minutos depois sofremos, algo que não pode acontecer”, admitiu. Ainda assim, destacou a resposta no reatamento. “Voltámos a entrar muito bem na segunda parte, tivemos ascendente e fizemos o segundo golo. Com melhores decisões podíamos ter marcado mais.”
O técnico salientou ainda a importância do triunfo num campeonato muito equilibrado. “Sabemos que é muito difícil ter um ciclo grande sem perder. Alimentamo-nos de vitórias para preparar o que vem aí”, disse, apontando a ambição clara do clube. “O objetivo é terminar em primeiro lugar. Desde o início. Queremos mais pontos, há seis em disputa e queremos os seis. Seremos assim até ao fim.”
Para Tiago Zarro, a vitória no Campo da Mata é mais um passo numa caminhada que o Belenenses quer manter assente “na fome de ganhar” demonstrada pelos jogadores, semana após semana.
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