A Academia de Desenhos do Bruno & Cª inaugurou a sua primeira exposição na Casa da Árvore. Os cerca de 40 trabalhos foram desenvolvidos pelos 15 alunos da academia durante o passado ano lectivo e podem ser vistos até amanhã, dia 30. Há caricaturas, cartoons, trabalhos de ilustração, banda desenhada, experiências em azulejo e estudos de rosto. Mas, sobretudo, há muita imaginação e um caminho aberto à criatividade, principalmente entre os mais jovens.
“No mundo da expressão plástica, às vezes o que mais importa não é o que os miúdos fazem com os desenhos, mas o impacto que os desenhos têm nos miúdos”. Esta foi uma das principais ideias partilhadas por Bruno Prates – responsável da Academia Desenhos do Bruno & Cia. – na primeira exposição realizada pelo atelier que se localiza na Rua Raul Proença.
Mas quais os efeitos de um desenho? “As crianças passam a estar mais atentas ao mundo que as rodeia, tornam-se seres humanos mais críticos”, acrescenta o autor, que também é cartoonista na Gazeta das Caldas. Como professor de Educação Visual e Tecnológica, Bruno Prates critica que muitas vezes as escolas exigem aos alunos que tenham um traço demasiado preciso, mas esse método acaba por ser limitativo da criatividade. “Nem sempre desenhar bem significa representar a realidade com precisão, o importante é que o desenho passe uma mensagem”, explica Bruno Prates, que também não está de acordo com aqueles professores que utilizam o desenho como “um castigo durante as aulas ou uma forma de passar o tempo quando já se terminou a ficha de Matemática”. Tal como outras disciplinas, também as artes plásticas necessitam do devido acompanhamento, caso contrário surgem uma série de trabalhos criativos que não passam da fase do esboço.
Curiosamente, na exposição da sua Academia, Bruno Prates fez questão de exibir não só os projectos finais como as experiências que lhes deram origem. E não há problema nenhum se uma ideia não ficar bem concretizada logo à primeira, pois o erro também faz parte da aprendizagem.
Ao todo, são 40 os trabalhos reunidos nesta mostra e variedade é o que não falta: encontram-se desenhos feitos com caneta preta, pinturas em aguarela, caricaturas, cartoons, experiências em azulejos, tiras de banda desenhada, estudos de rosto e desenho livre. Merecem especial destaque as ilustrações feitas em parceria com a Gocaldas.com – guia turístico que levou os alunos numa visita guiada pela cidade – e que agora resultarão num mapa ilustrado que será vendido no posto de turismo e nos hotéis caldenses.
A aluna Francisca Lopes também participa na exposição com várias ilustrações que desenhou para a sua Prova de Aptidão Profissional. Estuda na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro e sugere a criação de um roteiro turístico para crianças, ilustrado com os locais mais emblemáticos das Caldas. A Rota Bordaliana, o Chafariz da 5 Bicas, a Praça da Fruta, os Pavilhões do Parque, o Posto de Turismo, a Igreja de Nª Sra. do Pópulo e o Jardim d’Água fazem parte do guia, que também inclui um questionário divertido para os mais novos completarem com as famílias à medida que visitam a cidade.
[showhide]Na opinião de Bruno Prates, abrir as portas da Academia à comunidade com a sua primeira exposição, é elevar a responsabilidade dos alunos, que assim deixam de ser apenas crianças que desenham e passam a ser autores. “Ter um trabalho exposto significa também passar a ouvir críticas”, diz o cartoonista que não se esquece de como na altura foi impactante ver o seu primeiro trabalho numa exposição. Andava no primeiro ciclo e um stand automóvel que se localizava na Rua das Montras acolheu os desenhos feitos pela sua turma.
A Academia de Desenhos do Bruno & Cia. funciona desde Setembro do ano passado e tem alunos dos sete aos 34 anos. Dois deles vêm de fora do concelho, Bombarral e Cadaval. Num balanço do primeiro ano de actividade, Bruno Prates realça que este é um projecto que se tem mantido autossustentável pois paga as suas contas. “Também tem sido muito enriquecedor a nível pessoal, porque eu próprio me inspiro com os desenhos deles que revelam uma grande imaginação”, acrescenta.
Testemunhos
Sara Gregório, 14 anos (Caldas da Rainha)
Fomos fazer uma visita aos principais monumentos e locais da cidade, e para mim alguns deles foram uma novidade, principalmente no Parque. Depois foi na academia do Bruno que desenhei o Hospital Termal. Inspirei-me no edifício, mas quis criar uma ilustração com um ar mais cómico e divertido, em que se percebesse que o que estava em causa era o Hospital Termal, mas sem apresentar um desenho demasiado estruturado. Acho que quis dar vida ao Hospital, o que até faz sentido tendo em conta que está fechado.
Sempre gostei de desenhar, mas só no ano passado é que o desenho se tornou um hobbie. As aulas na Academia têm sido muito vantajosas, porque sinto que estou a evoluir, a sair da minha zona de conforto e a aprender novas técnicas.
Jordan Ferreira,
7 anos (Bombarral)
Foi há um ano que descobri que gostava muito de desenhar. Comecei por desenhar em casa e na escola e o que mais gosto de desenhar são animais domésticos.
Nesta exposição tenho um desenho feito com caneta preta de uma cabra que tem a cabeça grande e o corpo pequeno. Eu nunca a vi, mas imaginei-a na minha cabeça e é de propósito que não está certinho. Também desenhei a cara da minha mãe, mas acho mais complicado fazer retratos. Os olhos e o queixo foram as partes mais difíceis para mim. Depois há uma banda desenhada que criei com imagens inspiradas em três filmes que vi e ainda um desenho de um panda que está na floresta, rodeado de rochas e canas de açúcar.
Gosto de andar na Academia porque gosto da forma como o professor desenha.
Pedro Subtil, 12 anos (Caldas da Rainha)
O meu gosto pelo desenho começou pelo gosto pela escrita. Entrei para a Academia porque tinha várias histórias escritas mas não sabia como ilustrá-las. Não tinha ideias nem sabia como fazer.
Nesta exposição tenho uma caricatura que fiz da minha irmã para lhe fazer uma surpresa porque ela ia acabar o curso e estava um bocadinho triste. Também fiz um cartoon sobre o Donald Trump e como acho que ele não é amigo do planeta, desenhei-o virado de costas para a Terra. Na minha tira de banda desenhada criei uma conversa entre dois livros com várias mensagens que chamam a atenção para a importância da leitura, porque a maioria dos meus colegas acha que ler e estudar é mau. Mas o que mais gosto de desenhar são mesmo bonecos que só existem na minha imaginação.
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