É um cliché na área de RH dizerem-nos que: no ponto de vista do patrão, estamos sempre a defender os direitos dos empregados, e no ponto de vista dos empregados, que defendemos apenas os interesses do patrão. É inevitável por isso que tenhamos muitas vezes que explicar que os RH (para além de assegurar todos os processos burocráticos e administrativos desta área) são na realidade a ponte entre dois universos que estão muitas vezes de costas voltadas, por falta de Comunicação.
Em tempos de Pandemia, uma situação quase desconhecida para todos, há uma urgência na tomada de decisões, da parte de quem dirige, com os normais receios e ansiedades de que qualquer decisão tomada agora pode comprometer o futuro da organização. Essa urgência leva a que se tomem posições, sem tempo para pensar, antecipar e projetar, com as pessoas da equipa que fazem de cada organização o que ela é. Muito boas ideias podem ter sido postas de parte pelo imperativo que é dar o passo em frente (com uma legislação que muda todos os dias).
Por outro lado, do lado dos colaboradores, há também uma incompreensão da realidade desta posição de aceleração, em que vive quem tem a responsabilidade pela vida de muitas famílias, para além da sua.
Vemos, por isso, que no tecido empresarial português que bem conhecemos há mais de 25 anos, que quem vê nos Departamentos de RH o seu braço direito, tem como consequência uma melhor adesão das equipas às medidas, uma maior disponibilização para a flexibilidade e até a criação de sinergias para colocar ao serviço da organização o melhor de cada um. Porque esse Departamento é um veículo para melhor comunicar e estabelecer a tal ponte tão necessária nestes dias.
Por outro lado, nas organizações que olham para estes Departamentos como meros executores há uma necessidade de impor, quase sem diálogo, medidas, muitas vezes necessárias, mas incompreendidas pelas equipas o que gera descontentamento, desconfiança, temor pelo que aí vem e consequente indisponibilidade.
Numa empresa, como numa família, é importante que temas sensíveis sejam falados com abertura. As decisões difíceis que tem de ser tomadas, devem ser compreendidas pela equipa que a estas fica sujeita.
É certo que, quem trata a sua equipa com esta abertura, verá o reflexo disso mesmo (se não está a ver já) no comportamento das pessoas pós-confinamento. Na retoma, que sabemos que será possível, mas certamente lenta e limitada e com um crescendo do número de desempregados, precisamos que os que se mantém nas Organizações acreditem nas mesmas, se sintam motivados e que estejam disponíveis para enfrentar com garra as adversidades. E isso conquista-se com a confiança em quem dirige.
Susana Santos
Partner / COO





