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Empresas tecnológicas dão novo rumo à economia do Oeste

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Região quer apanhar a boleia da Tekever e afirmar-se como centro de desenvolvimento tecnológico. Setor tem capacidade para atrair investimento e talento

A Tekever tornou-se este ano uma empresa unicórnio, depois de ter recebido uma avaliação superior aos mil milhões de euros numa ronda de financiamento. A empresa, que tem um polo de desenvolvimento com cerca de 270 trabalhadores nas Caldas da Rainha, depois de ter iniciado atividade na região em Óbidos, confirma as potencialidades que as empresas tecnológicas têm para desenvolver a economia destes concelhos.

A Tekever é apenas a mais visível de um ecossistema de empresas tecnológicas que escolheram a região Oeste para instalar operações de escala nacional e internacional. À sua volta, outras empresas instaladas no Parque Tecnológico de Óbidos ou distribuídas pelo concelho das Caldas da Rainha, criam um ambiente de inovação que atrai cada vez mais talento e investimento.

Mas há outras empresas tecnológicas na região. Uma das pioneiras nas tecnologias de informação foi a Janela Digital, que desenvolve soluções ligadas ao mercado imobiliário, tendo como bandeira o portal Casa Sapo.

Outra empresa que também tem atingido bastante notoriedade é a Bitcliq Technologies, sediada nas Caldas da Rainha. É uma startup bluetech, que revolucionou o setor pescado através de blockchain e inteligência artificial. Fundada em 2013, desenvolveu o Big Eye Smart Fishing, uma plataforma para o setor das pescas que inclui rastreabilidade imutável via blockchain desde a captura até ao consumidor final.

Há também a AJ TEC – Sistemas de Informação. Pertence ao Grupo Auto Júlio e dedica-se ao comércio e serviços tecnológicos. Também nas Caldas, a Double Design & Development é uma agência digital especializada em web design, desenvolvimento, mobile apps e marketing digital, sediada nas Caldas da Rainha como Umbraco Silver Partner.
Em Óbidos, o leque é ainda maior com dezenas de empresas sediadas ou com escritórios no Parque Tecnológico. Entre estas contam-se, por exemplo, a NTT DATA Portugal (consultora multinacional com 1.500 colaboradores em Portugal), a Innovation Makers (especialista em soluções multicanal que que opera no ramo das operações bancárias), a MakeWise (especialista em visão por computador e IA), a Softpack (responsável pelo software Gestwin), a Hope Care (empresa especialista em tecnologias de monitorização ligadas à saúde), ou ainda a Magic Beans (empresa que já opera a nível internacional na área das soluções na cloud, com uma parceria alargada com a Amazon AWS).

O Parque Tecnológico de Óbidos vai ainda receber um investimento de referência internacional na área da biotecnologia. A Valvian, startup liderada por Nuno Prego Ramos, irá instalar um centro de produção e investigação científica com ambição europeia. O projeto integra unidades de I&D e uma fábrica de produção biotecnológica avançada, prevendo-se a criação de dezenas de postos de trabalho altamente qualificados e o fortalecimento do ecossistema tecnológico da região Oeste. O investimento foi anunciado em julho deste ano. Além do centro de biotecnologia, Nuno Prego Ramos anunciou o desenvolvimento do projeto Hospital do Futuro, que recorrerá à inteligência artificial para melhorar os cuidados prestados no Serviço Nacional de Saúde, tornando-os mais eficazes, acessíveis e sustentáveis.

Complementando o ecossistema tecnológico regional, estás nascer o Smart Ocean – Parque de Ciência e Tecnologia do Mar de Peniche, um investimento de 5,4 milhões de euros (financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência) com previsão de 1.230 metros quadrados para acolhimento de startups da economia azul, biotecnologia e inovação alimentar.

Nas Caldas da Rainha não existe um espaço específico dedicado à instalação de empresas tecnológicas, mas Vítor Marques, presidente da Câmara, reconhece que a presença da Tekever, além de ter relevância para a economia do concelho, tem potencial para atrair outras.

“Para nós, é uma grande satisfação ter uma empresa com esta dimensão. É um unicórnio, que fez com que os valores do PIB do concelho tenham aumentado de forma bastante significativa”, refere. Além disso, ao atrair profissionais qualificados, alguns deles que se têm fixado no concelho, também contribui para aumentar outros índices.

O autarca não tem dúvidas que o sector tecnológico tem o potencial no desenvolvimento económico do concelho. “A existência de empresas com dimensão no território pode potenciar a vinda de outras desta natureza, porque normalmente é assim que as coisas acontecem: criam-se clusters quando há uma oferta maior e uma procura maior”.

O concelho não tem um pacote de medidas para atrair especificamente este tipo de empresas, mas Vítor Marques destaca um conjunto de iniciativas transversais, a começar pela revisão do PDM que vai permitir aumentar as quotas de construção nas zonas industriais, mas também definir novas áreas para a fixação de empresas. “Também fizemos trabalho ao nível dos processos urbanísticos, que estão hoje muito mais rápidos”, acrescenta. Ao nível da fiscalidade, “a carga fiscal que temos no nosso concelho é baixa e, portanto, também de uma forma indireta é de atrair empresas”.

Mas o autarca reconhece que o setor “terá um grande relevo no desenvolvimento económico do concelho e é aquilo que queremos potenciar”. Para isso é preciso mais, nomeadamente ao nível da formação. Um dos problemas da região é não ter formação específica na área da engenharia informática, o que, de resto foi um dos motivos que levou a Tekever a abrir um polo em Leiria. “Tinham cerca de 50 pessoas que vinham de lá”, notou Vítor Marques.

“Uma das prioridades que temos identificada é a criação de um polo universitário nas áreas da saúde, tecnologia e engenharias. Não tivemos ainda sucesso, mas temos tido bastantes reuniões, com diversas entidades desta área”, destaca.

Nesta área, como tem acontecido noutras – como a dinamização da Lagoa de Óbidos e a luta conjunta pelo novo Hospital do Oeste –, Vítor Marques vê vantagens em aproveitar sinergias entre concelhos. Não só o Parque Tecnológico de Óbidos fica junto à fronteira com o concelho caldense, como a Zona Industrial obidense acabará por ficar praticamente à que irá surgir na Fanadia. “Vai criar ali uma oferta de maior dimensão, potenciando os territórios de forma integrada”, aponta.

O que Vítor Marques também quer é que a Tekever continue no concelho. É publico que a empresa, que já expandiu instalações várias vezes desde que se fixou nas Caldas, mas continua a precisar de mais espaço, inclusivamente para realizar testes nos seus drones.

“Sabemos, através dos diversos contactos que temos estabelecido, que há necessidade de mais espaço para ter, inclusivamente, mais engenheiros. Identificámos um conjunto de locais no mercado e, portanto, entregámos um caderno com várias possibilidades que podiam dar resposta às necessidades da empresa”, refere Vítor Marques. Desse processo resultou o aluguer por parte da empresa das antigas instalações da Plural, “que creio que adquiriram já durante este ano”, acrescentou.
Apesar de isso não significar que a Tekever ficará para sempre nas Caldas, Vítor Marques adianta que o município continua a avaliar outras possibilidades para cobrir as necessidades da empresa.

A região está a viver uma transformação. De um território historicamente ancorado no turismo e no comércio tradicional, emerge agora como um polo tecnológico em potencial. Com um ecossistema de empresas que se vai reforçando e uma visão estratégica de futuro, a região tem todos os ingredientes para se consolidar como um polo de inovação. O desafio agora é garantir que tem os recursos – humanos, académicos e estruturais – para sustentar este crescimento exponencial e não deixar esta oportunidade passar.

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Edição #5625

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