
Um dos poemas iniciais deste livro refere «O medo muda o Mundo» quando se sabe que para Ruy Belo «O medo da morte é a fonte da arte». Na segunda sequência a ironia atinge um universo que o poeta bem conhece : «Só os advogados pouco ortodoxos descrêem da justissa?». É possível que o erro de ortografia em Justiça surja para acentuar uma ideia muito divulgada em quem frequenta Tribunais: «O Direito é o maior inimigo da Justiça». Na terceira sequência citamos «Memória digenital» como exemplo de uma escrita oscilando entre a ironia e o pleno usufruto do jogo das palavras: «Não conseguia decidir entre Marylin, aliás Norma Jean, que deu forma á norma dos jeans e Brigitte Bardot dita bêbê em bendita cara de bebé. Sem fio condutor, meteu-lhes pén…drive.»
(Editora: Quarto Crescente, Desenhos: Luís d´Orey, Capa: Fatehpur Sikri, Foto: Sara Vieira, Composição: César Antunes)







