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Entre ondas gigantes e microscópios: a ciência que move o Oeste

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António José Correia
Ex-Autarca

Nesta edição que a Gazeta das Caldas dedica à Ciência, volto o olhar para o Oceano como fonte de conhecimento, inovação e futuro. Na nossa região, e no Oeste em particular, esta relação é especialmente intensa: aqui, a ciência faz-se no mar e com o mar, ligando investigadores, comunidades e ecossistemas.

A tecnologia e o surf, por exemplo, aproximam-nos da ciência. O projeto Big Wave Tracker desenvolveu uma metodologia inovadora para monitorizar, em quase tempo real, as ondas gigantes da Nazaré, fornecendo dados essenciais para apoiar a indústria do surf, quer em contexto competitivo quer em performances fora de competição, e oferecendo simultaneamente à investigação científica informação crucial para a compreensão de fenómenos extremos e dos seus impactos na zona costeira. Trata-se de uma iniciativa nacional, liderada pelo CoLAB +ATLANTIC, com o apoio do Fórum Oceano e do Município da Nazaré, que poderá tornar-se um projeto-piloto à escala mundial, demonstrando uma forma inovadora de aplicação de métodos científicos ao surf e com potencial de replicação noutros locais, graças à sua portabilidade.

E, no passado sábado, a Nazaré – onde estive – voltou a surpreender o mundo com o Tudor Nazaré Big Wave Challenge, organizado pela World Surf League, num espetáculo de energia oceânica que transforma a Praia do Norte num verdadeiro laboratório natural. (Só para se ter uma ideia do impacto, as publicações no Instagram terão gerado um alcance potencial estimado superior a 100 milhões de visualizações.)

A ligação da ciência ao surf reforça-se ainda com o trabalho – já aqui referido – da Hope Zones Foundation, em colaboração com a WSL PURE, que promove a regeneração de ecossistemas costeiros, nomeadamente através da reflorestação de algas marinhas em Peniche e Nazaré. Esta iniciativa alia conservação, investigação e ação comunitária, elevando a importância ecológica e social da nossa faixa atlântica. Complementarmente, projetos como o SeaForester contribuem para restaurar florestas marinhas essenciais à biodiversidade e à resiliência climática.

Dezembro é também mês de celebrar conquistas da ciência feita na região. No dia 10, projetos do grupo MARE-IPLeiria foram distinguidos no Prémio Inovação Expo Fish Portugal, organizado pela DOCAPESCA.

O projeto FoodCycleIn, coordenado por Filipa Pinto e Sónia Barroso, recebeu Menção Honrosa na categoria “Novos Produtos Alimentares do Mar”.

Já o projeto PROVA, dedicado ao desenvolvimento de produtos inovadores a partir da aquacultura sustentável de ouriços-do-mar, conquistou o 1.º lugar, coordenado por Sílvia Lourenço e com a colaboração de Ana Pombo, Inês Lisboa, Marta Neves e Susana Mendes.
Um reconhecimento que honra o talento, a criatividade e o compromisso da ESTM com a sustentabilidade dos recursos marinhos.

Num mês de partilha — e de prendas — deixo duas sugestões: Espécies Marinhas de Portugal, de Nuno Vasco Rodrigues, obra de referência com 734 espécies e cerca de 800 fotografias (nunovascorodrigues@gmail.com); e O Rei e o Pescador, de Sandra Santos, um livro infantil com uma história que sensibiliza desde cedo para o cuidado com o mar (FNAC).

A ciência que nasce do Oceano inspira-nos, protege-nos e guia-nos. Que o novo ano traga mais conhecimento, mais sustentabilidade e sempre… mais Mar.

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Edição #5625

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