Hoje em dia assiste-se e vêem-se coisas que nos fazem lembrar os tempos de antigamente. É com certeza uma consequência destes tempos épicos de crise e de medo, que nos fazem recuar, não digo à Idade Média, mas à idade do Estado Novo.
Leio na Gazeta desta semana que um município (neste caso o de Óbidos, mas o que faltam é por aí municípios assim) dá 200 mil euros para a construção de uma igreja. E vejo um autarca, neste caso o das Gaeiras, todo contente porque a sua maior obra do mandato é uma igreja.
Isto na, supostamente laica, República Portuguesa!
Mas o mais incrível é que a dita freguesia das Gaeiras ainda tem zonas sem saneamento básico.
Isto 39 anos depois do 25 de Abril e da fase de infra-estruturação que se lhe seguiu.
Como ainda no domingo vi o país parado por causa de um jogo da bola, como no domingo anterior a notícia do dia foi a enorme peregrinação a Fátima, e como o fado (de que eu até gosto) ressurgiu em força no cancioneiro nacional, é caso para dizer que estamos a voltar a um país muito distante de Abril.
Tendo em conta a última intervenção da figura mais proeminente do Estado português, talvez devamos esperar que as necessidades mais básicas das populações sejam satisfeitas por inspiração divina.
Margarida Lopes
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