
A viagem começa no passado do poeta («foi numa noite de Verão com vento / que apareceu morto Billy the Kid / apunhalado na minha caixa de brinquedos») e vai para o futuro: «Sei da vida o suficiente para não querer morrer calçado». Passa pela cidade da morte («Os meus telefonemas estão (finalmente) preparados para serem roídos pelo tempo») mas também a cidade da festa: «O sítio dos tristes mudou de sítio / fazem o mesmo horário de sempre e estão aqui a roer as horas. / Esperam que a mosca de metal venha e poise (castiça) na última máscara». Entre morte e vida, o sonho do poeta pode ser morrer a dançar como Carlos Queirós em Paris: «Gostaria de morrer apunhalado num baile». O poeta viajou muito com o poema, esteve em África («barrento – o bafo dos guerreiros») mas é da terra, desta terra: «Sinto-me e sou da terra; sei melhor do que ninguém para que floresta trabalho». 50 anos depois, a mesma força de sempre, a poesia continua: «A azeitona desloca-se para cima / torna-se luz, candelabro de noivos desnudos. / O azeite esmagado por lábios de medusa. / Circo de muitas pedras romanas».
(Editora: Mic – Apartado 4 – 2766-601 Estoril Codex)







