
David Vieira
Técnico de Comunicação
Nunca foi tão fácil mentir. E nunca foi tão difícil distinguir a Verdade. Vivemos num tempo em que a informação circula à velocidade de um clique e, com ela, circulam também falsidades, manipulações e narrativas que se apresentam como factos. É neste cenário que o jornalismo assume um papel que considero absolutamente essencial: o de procurar a Verdade possível e de ser um farol de confiança num mar de ruído.
A desinformação é hoje uma das maiores ameaças às democracias. Ela distorce perceções, alimenta divisões e fragiliza instituições. Mas, acima de tudo, mina a capacidade crítica dos cidadãos. Se não sabemos em que informação confiar, como podemos decidir? Como podemos exercer os nossos direitos em consciência? É aqui que o jornalismo, assente em princípios éticos e deontológicos, se torna mais do que um meio de comunicação e se transforma num serviço público.
A Verdade, no jornalismo, não é absoluta. Nem pode ser. É construída com rigor, investigação, confronto de fontes e contraditório. É a melhor versão dos factos que conseguimos alcançar. E essa construção exige tempo, responsabilidade e, sobretudo, independência. Num ecossistema mediático onde a velocidade muitas vezes se sobrepõe à verificação, defender a Verdade parece que se está a tornar num ato de coragem.
Mas não basta procurar a Verdade. É fundamental conquistar e merecer a Confiança. Numa sociedade saturada de informação, a credibilidade dos meios tornou-se um dos seus maiores capitais. Alguns órgãos são considerados mais fiáveis do que outros e essa perceção depende da forma como trabalham. Da transparência com que revelam as suas fontes. Da clareza com que distinguem factos de opinião. Da coerência com que tratam os temas. E do respeito que demonstram pelo leitor.
A literacia mediática é também, por isso, parte desta equação. Quanto mais capazes formos de questionar, interpretar e contextualizar a informação, menos vulneráveis estaremos à desinformação. Cabe aos meios fazer esse esforço pedagógico e cabe-nos a nós, cidadãos, não desistir de procurar a informação de qualidade.
A Verdade e a Confiança são dois lados da mesma moeda democrática. Sem Verdade, a Confiança desaparece. Sem Confiança, a informação perde valor. E sem informação credível, a própria democracia enfraquece.
É por isso que, mais do que nunca, precisamos de jornalismo. Jornalismo que esclarece, que investiga, que confronta. Jornalismo que não desiste de procurar a Verdade e que se empenha, todos os dias, em merecer a nossa Confiança.
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