
A presença do chamado «acordo» ortográfico é muito forte neste volume a começar pelo subtítulo que está com o errado coletâne em vez do correcto colectânea. Na página 38 surge rutura em vez de ruptura e Edson Athayde usa uma expressão na página 10 («estava no páreo») que só se entende no Brasil, sendo que neste livro apenas quatro participantes são brasileiros num total de vinte e dois. Como convite à leitura fica uma referência à narrativa «Coração sem-abrigo» nas páginas 45 a 68 que se revela um achado feliz na conclusão: «Vasco tinha muito mas faltava-lhe o principal que, por acaso, era a única coisa que o velho Leonel tinha, um grande coração!». Menos feliz é a articulação da narrativa não só no uso de palavras como «para» por pára (51), «faculdade» por Faculdade (51), «sítio» por país (54), «carro» por automóvel (45 e 58) «inverno» por Inverno (46), «papel» por palavras (46). «dezembro» por Dezembro (49), «célebre» por grande (50), «100» por cem (50), as repetições como «maravilhoso/maravilhoso» na página 68 ou o uso excessivo dos advérbios de modo («realmente, literalmente, lentamente») na página 65. Para além de imprecisões como «rua» Casal Ribeiro que é avenida (53) ou uma missa ouvida no Rossio (63) que é no Largo de S. Domingos ou o «instantinho» (63) entre o Rossio e o Saldanha quando é preciso mudar de linha no Marquês de Pombal. Nota final – este é um ponto de partida e não de chegada, logo o que se espera são outros e melhores trabalhos futuros, num tempo que se deseja melhor e mais feliz como os participantes deste livro merecem.
(Editora: Livros de Ontem, Capa: André Freitas Santos, Revisão: Bárbara Soares, Paginação: Nádia Amante, co-edição The Art Boulevard).





