
Lurdes Pequicho
Educadora de Infância
Hoje gostava de falar-te num tema que nos pode afetar durante toda a vida que são os talentos. Será que nós temos alguns talentos, que cada um de nós é muito bom a fazer determinada coisa, que realmente gosta e tem verdadeira vocação?
O que eu muitas vezes vejo é que nós conseguimos ter a consciência de que não queremos fazer com os nossos filhos o que fizeram connosco e por isso, colocamos as nossas frustrações nos nossos filhos, sem nos apercebermos. Temos a pretensão de ter cópias de nós próprios e achamos que os nossos filhos têm os mesmos gostos que nós e fazemos de tudo para os fomentar. Quando mais tarde ficamos fulos da vida, porque os nossos filhos não se esforçam naquela atividade, não se esforçam na escola e nós frustrados com as nossas expetativas achamos que são uns ingratos.
Acredito que todos nós temos um talento, algo que fazemos sem esforço, que fazemos durante horas sem cansar. E pode não ser visível, pode ser apenas gostar e sentir-se bem a ajudar outras pessoas ou apenas ser a criança mais faladora da turma, o talento dessa criança pode ser a comunicação e nós por vezes depois de um dia de trabalho, só queremos que ela se cale um bocadinho. Alguém tem aí por casa uma criança assim? Que gosta de ser a relações públicas da família, muito extrovertida, que fala com qualquer pessoa mesmo que não conheça? Dê-lhe um microfone peça-lhe para fazer o telejornal com as notícias da escola. Quem sabe não está a estimular competências de uma futura jornalista de sucesso. Aquela criança que organiza todas as brincadeiras, que diz o que cada um tem de fazer, essa criança pode ser um futuro líder. E nesta situação o que nós fazemos? Castramos essas habilidades, em vez de lhes darmos possibilidades para desenvolverem essas competências.
Adriana Santiago diz que “o maior potencial de crescimento está nas áreas onde o indivíduo tem o seu ponto forte”. O Cristiano Ronaldo tem um talento natural para o futebol, mas se ele não trabalhasse o que trabalha, será que teria tido o sucesso que tem? Dedicou-se apenas ao seu talento, investiu verdadeiramente naquilo em que era bom, naquilo que fazia de forma natural, com gosto.
Fazer as crianças e adolescentes reconhecerem o seu talento é fundamental para que tenham uma existência mais produtiva e mais feliz e nós adultos somos responsáveis por lhes permitir escolher, despindo-nos das nossas expetativas e aceitando os nossos filhos na sua autenticidade.
Com amor!
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