
O Mundo é, como o autor refere na página 13, «feito de perigos, conhecidos e desconhecidos; esperados e inesperados; naturais e sobrenaturais, onde avultam personagens maléficas diversas e mais ou menos integráveis no bestiário cristão: o Demónio, principalmente! Entidade negativa, príncipe do mal, que atormenta os justos e ilude os ingénuos; apesar de a sabedoria popular dizer que «não pode estar sempre atrás da porta», acaba por ver-lhe imputados, de uma maneira ou de outra, os azares da vida.»
Entre o Homem e o Mundo surge a terapia: «se, para o homem tradicional, o mundo era composto de uma infinita e multifacetada profusão de perigos não admira que a multiplicidade de práticas terapêuticas apenas tivesse limite nos incomensuráveis limites da imaginação humana e ao mesmo lançasse mão a todos e mais alguns mecanismos operativos: fórmulas e rituais mágicos, esconjuros e exorcismos, acções físicas, anatómicas e alimentares, apelos e encomendações religiosas ou dirigidas às potências cósmicas e naturais mais ou menos divinizadas.»
Com estas duas citações fica uma ideia do vasto alcance deste trabalho dum autor que já acompanha esta área do conhecimento desde 1995 com «Religião Popular no Ribatejo».
(Editora: Apenas Livros, Capa/Paginação: Jorge Belo, Revisão: Luís Filipe Coelho, Desenho de capa: Carlos Augusto Ribeiro, Patrocínio: IELT)







