
O autor define esta Poesia na páagina 42: «sempre a Poesia de Sena soube dialecticamente combinar a disciplina e o excesso, a ordem e o tumulto, o clássico e o moderno». Noutro passo explica como, diferente de Régio ou Torga, Sena escreve uma Poesia sem Teatro: «Não há cenário nem há plateia. Não há espectáculo. Não há confessionalismo. O que em seu lugar temos é uma desesperada descida às funduras da alma humana».
Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e tradutor, Sena é acima de tudo Poeta como no auto-retrato publicado no volume «Peregrinatio ad Loca Infecta»: «Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos / mágoas, humilhações, tristes surpresas / e foi traído e foi roubado e foi / privado em extremo da justiça justa / e andou terras e gentes conheceu / os mundos e submundos; e viveu / dentro de si o amor de ter criado; / quem tudo leu e amou quem tudo foi / não sabe nada nem triunfar lhe cabe / em sorte como a todos os que vivem. / Apenas não viver lhe dava tudo / Inquieto e franco, altivo e carinhoso / será sempre sem pátria/ E a própria morte / quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.»
(Editora: Colibri, Foto: Fernando Bento, Capa: Raquel Ferreira, Editor: Fernando Mão de Ferro)









