
Sobre «Levantado do chão» escreve Manuel G. Simões: «o leitor não pode deixar de notar que o romance constitui um repositório de expressões populares, de idiomatismos, de frases feitas de sabedoria popular, da gíria e sobretudo de provérbios, isto é, de elementos que caracterizam substancialmente a cultura popular. A simples reapropriação das formas da cultura popular pode, por conseguinte, justificar-se de acordo com a lógica discursiva que veicula a ideologia dos actantes, como, por exemplo: «pôr o pé em ramos verde» (p. 104), «Adeus mundo cada vez pior» (p. 341), «Cada um sabe de si e Deus de todos» (p. 37), «quem procura sempre alcança» (p. 78), «Vão-se os anéis e fiquem os dedos» (p. 305) mas, os provérbios reutilizados na íntegra, correspondem ao ponto de vista do narrador, aparecendo seguidos por comentário que os recodifica sobretudo através da conotação irónica. Apenas alguns exemplos: «juntou-se a fome com a vontade de comer» (p. 58), «quem sai aos seus não desgenera» (p. 67) ou «se queres conhecer o teu corpo abre o teu porco» (g. 145).
(Editora: Edições Colibri – Fernando Mão de Ferro)







