
Tratando-se embora das suas memórias, Leonoreta Leitão integra nelas as memórias de muitos outros que consigo partilharam o tempo que viveu. Por exemplo Orlando Neves que nas páginas 140 e 141 num artigo o Jornal «Unidade» de 1974 refere uns jovens que almoçavam em Benfica e mudaram as suas palavras no restaurante das «conversas em família» de Marcelo Caetano para o «Avante!» e para o «República», afirmando «é importante distinguir onde está o oportunismo e onde está a reflexão honesta». O seu tempo da Escola em Alcanena surge nas páginas 12, 64, 90 e 261: «Só em Alcanena me apercebi dessas minhas qualidades (pés bem assentes na terra) quando me achei perante uma Escola do Ciclo Preparatório e com determinação consegui que ela viesse a ser uma Escola Técnica.» Outro aspecto tem a ver com Urbano Tavares Rodrigues sobre quem Leonoreta Leitão escreve: «Na Páscoa de 1984 terminou a minha vida em comum com o Urbano por minha decisão, sem atritos.» Numa das cartas no livro copiadas, Urbano afirma «ninguém é de ninguém e tu de facto não és minha mas tua. Atingi contigo o extremo da felicidade humana.»
E neste sentido (falar de si para falar dos outros) a última página (a 286) refere uma reflexão do pai de Leonoreta Leitão que a autora toma como sua: «É preciso vive muito depressa e morrer muito devagar.»
(Editora: Colibri, Direcção gráfica e capa: Rui A. Pereira, Apoio à edição: Horácio Guerra)





