
Candidato apoiado pelo Chega esteve na cidade onde reside António José Seguro, a quem acusou de ter medo dos debates “porque não tem nada para dizer”. A arruada entre a Rainha e a Rua das Montras durou menos de uma hora
A chegada estava prevista para as 16h00 de domingo, mas meia hora antes já largas dezenas de militantes e simpatizantes aguardavam o candidato presidencial apoiado pelo Chega na rotunda da rainha D. Leonor, nas Caldas. André Ventura acabaria por chegar pelas 16h30 à “terra de António José Seguro”, mas onde tem dúvidas de que “ele tivesse tanta gente para o receber”, começou por dizer aos jornalistas. “As pessoas querem uma mudança, não querem que aconteça o mesmo”, respondeu, acrescentando que “mesmo na terra dele [as pessoas] não desistem de fazer esse pedido de mudança”.
O também presidente do Chega voltou a criticar António José Seguro por não querer fazer mais do que um debate nesta segunda volta das presidenciais. Acusa-o de ter medo, de “não ter nada para dizer” e “porque sabe que qualquer confronto agora será a mostrar ao país aquilo que é, uma pessoa sem ideias nenhumas, uma pessoa que está na mão do sistema de interesses nacional, sobretudo o sistema de interesses bipartidário PS e PSD” e acaba a dizer que parece que está “em campanha só comigo próprio”. “É preciso que o candidato do outro lado perceba que é uma campanha e não desfile”, manifestou. André Ventura desafiou ainda o adversário na corrida a Belém a clarificar se quer ou não mudar a Constituição para acabar com a duplicação de subvenções vitalícias de antigos detentores de cargos públicos.
Numa altura em que as sondagens prevêem a vitória de António José Seguro na segunda volta, André Ventura não mostra desânimo e refere que, pelo contrário, tem “cada vez mais pessoas”. Diz que sabia que iam juntar-se todos contra ele, pois é o “único que quer fazer mudanças no sistema” e considera que, “geralmente, quando isso acontece é sinal que essa pessoa está no caminho certo. E eu acho que este chega do socialismo vai ser a grande surpresa”, concretizou.
Questionado sobre a realidade das Caldas em termos de saúde, André Ventura falou do contexto nacional, dando conta de que mais de 30% das indicações do Governo em matéria de novos hospitais e centros de saúde não se concretizaram. Foi esse o caso de Lisboa e Algarve, e “as Caldas não é exceção”, disse, lembrando as queixas sobre a falta de acesso aos cuidados de saúde. Garante que se for presidente vai exigir ao Governo que cumpra essas promessas e que garanta que, “efetivamente, todos têm acesso à saúde”.
O problema da segurança
A confirmação de que o candidato apoiado pelo Chega viria às Caldas chegou na tarde de sábado e a estrutura local mobilizou-se de imediato. “As nossas páginas [nas redes sociais] têm mais de um milhão e meio de visualizações e [as pessoas] rapidamente responderam e deu esta mobilização fantástica”, referiu o vereador do Chega, Luís Gomes, realçando a importância da presença de Ventura nas Caldas, “que é o quartel general do [António José] Seguro”.
A visita, que decorreu na tarde de domingo, com chuva e o comércio praticamente todo fechado, pretendeu marcar a sua presença no território, “que se diz seguro, mas que não é seguro”, disse o vereador que, no dia seguinte, apresentou uma proposta de deliberação sobre a segurança na cidade na reunião do executivo. “O dr. André Ventura vai poder ver com os seus próprios olhos que o nosso centro histórico está transformado num autêntico Martim Moniz”, acrescentou Luís Gomes, mas o candidato presidencial acabaria por não ver nada, tal era o aparato ao seu redor.
A visita, que não chegou a demorar uma hora, compreendeu uma arruada entra a Rainha até à praça e Rua das Montras, período durante o qual o candidato a Belém contou com a euforia dos apoiantes e até andou de bicicleta. Ao passar por um edifício, onde se lê numa lona de grandes dimensões “Caldas vota Seguro”, contrapôs que “Caldas vai ser Ventura” e, poucos metros depois, subiu ao banco onde está a escultura do Zé Povinho e Bordalo Pinheiro para, aludindo à personagem, realçar que é “com o povo” que vai ganhar.











