
“Sem estratégia, sem planeamento, sem prazos, onde vigora a desorientação” . É desta forma que os centristas caldenses caracterizam a intervenção da regeneração urbana nas Caldas, numa altura em que as principais obras já se encontram feitas.
Em conferência de imprensa, realizada no passado dia 11 de Abril, o CDS-PP caldense garante que alertou para os erros e apresentou alternativas que não foram consideradas, apresentando agora um livro negro das intervenções.
O militante centrista e arquitecto, Rui Gonçalves, referiu que, apesar de haver haver obras que foram dadas como terminadas, ainda não se encontram concluídas, dando como exemplos a zona acima da Praça da Fruta e a Rua Eng. Duarte Pacheco, que é o principal acesso à Praça 25 de Abril.
A intervenção na Praça da Fruta é a que mais críticas merece, apelidando-a do maior erro estratégico dessa regeneração. Chamam-lhe a “oportunidade perdida” porque consideram que “nada resolveu, nem tão pouco melhorou”, ficando a obra apenas por uma “repavimentação urbana”. Rui Gonçalves recorda que há cerca de ano e meio apresentaram um projecto para o local, com um parque de estacionamento subterrâneo, com cerca de 250 lugares, e a criação de um piso destinado a arrecadações para os vendedores. Previa ainda a criação de um túnel de atravessamento dos automóveis, devolvendo a praça aos peões, bem como a existência de uma ciclovia.
Mas o PSD decidiu “recusar” esta proposta justificando com os prazos de obra até Dezembro de 2014, mas estes foram-se arrastando e agora já é admitido Junho para o final das intervenções.
Referindo-se ao parque da Praça 25 de Abril, Rui Gonçalves apelidou-o de “um buraco construtivo” e que no futuro, devido à proximidade com o parque de estacionamento junto à PSP, se transformará num “sorvedouro de dinheiro”. Também a praça não agrada ao militante centrista, transmitindo-lhe a ideia de um espaço retalhado pelos acessos ao parque e com a mesma circulação de trânsito de anteriormente.
Estas duas obras “demoraram o dobro do tempo previsto”, refere, criticando ainda o facto de a Câmara ter deixado a sua execução para o último ano do quadro comunitário, provocando intervenções simultâneas e um estrangulamento da cidade.
Câmara recusa propostas da oposição
Os largos, locais de encontro e convívio, não estão a ter o uso devido, disse Rui Gonçalves, exemplificando que o Largo João de Deus está transformado em parque de estacionamento, o Largo Rainha D. Leonor é uma anarquia e o Largo Heróis de Naulila foi considerado sítio de excelência para colocar contentores do lixo. O arquitecto disse mesmo que, na cidade, os contentores foram “elevados à categoria de mobiliário urbano de eleição”, sendo colocados junto a locais emblemáticos, como os ex-Paços do Concelho, a empresa Thomaz dos Santos, ou o parque infantil junto à avenida.
Por outro lado, considera que o modelo de contentores usado não serve “de forma ideal” a recolha do lixo e critica a Câmara pela demora na implementação da solução de recolha porta a porta, proposta pelo CDS e aprovada em Assembleia Municipal. O militante diz mesmo que a Câmara tem o “estigma” de não aceitar as propostas feitas pela oposição.
Mas os erros não ficam por aqui para os centristas. Rui Gonçalves falou também da ausência de fiscalização, que permitiria que muitos dos problemas fossem detectados em tempo útil, dando o exemplo das estrelas do empedrado da praça e dos materiais utilizados de “qualidade altamente duvidosa”.
O arquitecto disse que o pouco de bom em que estes 10 milhões de euros foram aplicados está “enterrado” porque foi o investimento feito na infra-estruturas que estão debaixo de terra. Referiu ainda que ao longo de todos estes atrasos a Câmara nunca tentou ser ressarcida, embora reconheça que as empresas passam por um período difícil.
Também presente na conferência, o vereador Manuel Isaac lembrou que propôs a vinda da responsável pelos fundos comunitários, Isabel Damasceno, à Câmara para falar da calendarização, mas que a maioria PSD nunca aceitou, indo apenas o presidente da Câmara falar com ela. “O PSD mentia quando dizia que não podia atrasar as obras porque podia perder os fundos comunitários, porque era em Dezembro, depois Março e agora é Junho”, disse.
O também deputado da Assembleia da República criticou o facto da maioria PSD alterar os projectos sem dizer nada a ninguém.
Margarida Varela, presidente da concelhia caldense do CDS-PP, destacou que sentem legitimidade em apresentar este livro negro porque o que nele contem não são críticas gratuitas, mas que nascem de propostas que fizeram atempadamente.
Também a presidente da JP caldense, Rita Sampaio, partilhou das críticas feitas e destacou que este partido tem-se batido por apresentar alternativas. “Entendemos que não importa andar sempre a remendar os erros que foram feitos, mas que é preciso perder um pouco mais de tempo no planeamento”, destacou.
O CDS-PP pretende também criar em breve, na sua página de facebook, um link para um fórum de debate sobre o concelho.
Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt





