Na Praça recebeu manifestações de apoio, mas também recados. Considera que a saúde é o principal problema do país e garante que se for eleito a irá organizar uns Estados Gerais dedicados à defesa e fortalecimento do SNS
A Praça da Fruta foi também a escolha do candidato presidencial Jorge Pinto para iniciar mais um dia de campanha, no sábado de manhã (10 de janeiro). Logo que chegou ao mercado, perguntou a um dos vendedores quais as bancas às quais sugeria uma visita? “São todas boas”, disse, para depois, irónico, convidar Jorge Pinto a visitar as de cerâmica. E a resposta do candidato não se fez esperar: “eu conheço bem, sou de Amarante e a ligação entre a minha terra e as Caldas é o formato, só que o vosso é em loiça e o nosso é em bolo, é comestível”, brincou, sobre os quilhõezinhos de S. Gonçalo, o doce em forma de falo, tradicional da sua terra.
Pouco depois a pequena comitiva encontrou um casal de brasileiros, clientes da Praça e apoiantes do Livre. “E para dia 18 decidimos na mesma linha”, disse o casal que reside nas Caldas desde o verão, apesar de já estar em Portugal há uma década. “Fico contente e espero ajudar a criar um Portugal onde cabem todas as pessoas, que é o país que todos nós merecemos”, disse-lhes o candidato, agradecendo o apoio.
Praça fora, houve também quem elogiasse a sua “coerência e verticalidade”, mas que, em vez de votar nele, irá optar pelo voto útil noutro candidato porque “tenho muito medo que uma pessoa que detesto [André Ventura] vá para Presidente da República”, garantindo-lhe, ainda assim, o seu apoio.
Jorge Pinto realçou o apoio que tem sentido por parte dos eleitores a esta “maneira nova de fazer política” e destaca que, para muitas pessoas, é a “melhor das opções” porque está “junto da população, a falar com elas e a pôr em cima da mesa aquilo que são os reais problemas dos portugueses”. Quer ser Presidente da República para lhes dizer que, consigo, “Portugal vai ser um país onde vale a pena viver, que essa esperança e otimismo vão ter uma concretização prática na minha maneira de fazer política”.
Garante que o seu inimigo não é o voto útil noutros candidatos à esquerda, mas sim o “ataque à Constituição da República Portuguesa, que já está em cima da mesa”. Já para dia 18, um bom resultado seria conseguir uma “expressão política que mostrasse que a candidatura foi o as pessoas dizem na rua, uma candidatura que se distinguiu e marcou agenda nos debates”, concretizou.
Em relação à saúde, e apesar de realçar que as suas palavras não se referiam especificamente às Caldas, Jorge Pinto defendeu que o SNS é a “grande e principal conquista da democracia e que está a ser ameaçada”. E que, “uma vez destruído, será muito difícil voltar a reconstruir o SNS que todos apreciamos e que já tratou de todos nós ou de alguém da nossa família”. Considera que nas Caldas também é isso que está em risco, no que respeita ao “acesso às viaturas de emergência, às especialidades médicas que faltam e na existência de médico de família”, reconhecendo que no país há mais de 1,5 milhões de pessoas sem médico de família e que este é um problema que afeta gravemente o Oeste. Jorge Pinto lembrou que no ano passado, foram abertas vagas para medicina geral e familiar e que metade ficou por preencher, o que “diz ao governo que as condições que estão a ser dadas à classe médica são insuficientes”.
O candidato espera agora que o protocolo negocial assinado entre o Ministério da Saúde e a Federação Nacional dos Médicos, permita que, “no mínimo dos mínimos, sejam preenchidas as vagas abertas”. E, caso seja eleito Presidente da República, e não podendo legislar ou mudar os contratos dos médicos, já se comprometeu a “organizar uns Estados Gerais dedicados à defesa e fortalecimento do SNS”. Relativamente à necessidade de construção do novo Hospital do Oeste, Jorge Pinto revelou que, enquanto Presidente da República, o que poderá fazer será “alertar para esse problema e discuti-lo, semanalmente, com o primeiro-ministro e fazer com que se cumpra”. Realça que o lema da sua campanha é “presente”, também junto dos outros órgãos de soberania, “para que tomem as medidas que devem ser tomadas, nomeadamente no setor da saúde, que é o mais problemático no país atualmente”.







