
O último, Vasco de Oliveira, esteve no cargo durante 28 anos (tanto como o presidente da Câmara, Fernando Costa), fazendo a transição para o actual executivo. No final da cerimónia, confessou-se sensibilizado e agradecido por se terem lembrado dos antecessores.
Vasco de Oliveira contou que foi “fácil” estar à frente desta freguesia durante tanto tempo. “Estes anos passaram muito rápido” recorda.
“Sei que não devia ter ficado tanto tempo” contou. “Mas também não abandonei por causa deste edifício. O presidente da Câmara disse-me que me cedia o edifício se eu continuasse mais um mandato” explicou.
Em 28 anos de presidência, histórias caricatas são o que não lhe falta para contar.
Um dia mandou alcatroar uma rua e acabou em tribunal porque o terreno era privado. Outra vez passou um atestado de pobre a um munícipe e depois veio a saber que a senhora a quem tinha passado o atestado tinha, na Caixa Geral de Depósitos do Barreiro 14 mil contos (cerca de 70.000 euros) e que possuía também um terreno no Entroncamento e um andar na Damaia. “Tive que chamar a senhora e alertá-la que a ia colocar em tribunal” concluiu.
O último presidente da Junta de Nossa Senhora do Pópulo pediu ainda desculpa à população da sua freguesia pelo que não fez. “Queria ter feito muito mais mas não havia meios”.
Quem também esteve presente foi o filho de Vasco Ladeira Baptista, que liderou os destinos da freguesia na transição do 25 de Abril. Óscar Baptista revelou-se grato pela homenagem ao seu pai.
O filho recorda que, ineditamente, o pai foi eleito como tesoureiro, mas que, com a morte do presidente e do secretário, ficou ele encarregue dos três cargos.
Isaque Vicente
ivicente@gazetadascaldas.pt





