Em Óbidos as aulas começaram na passada segunda-feira com reuniões e apresentações (aos pais e alunos) nos novos complexos escolares. Gazeta das Caldas falou com Bernardo Ferreira, aluno do segundo ano que passou da escola de A-dos-Negros para o Alvito, e com a sua mãe, Lénia Lameiro, que recordou os seus primeiros anos na mesma escola que o filho viu encerrar.
Segunda-feira foi um dia de nervos para o Bernardo, de sete anos. Deixava a antiga escola primária de A-dos-Negros, onde frequentou o primeiro ano para integrar o novo complexo escolar do Alvito.
À Gazeta das Caldas diz que gosta da nova escola, que é “maior e mais moderna”, e que ali tem mais coisas para comprar, referindo-se ao espaço de reprografia e ao bar. Mas a mãe, Lénia Lameiro, vem repor a verdade: “de manhã estava muito ansioso e dizia-me que preferia ir para a escola velha, mas conseguimos convencê-lo de que agora iria ter coisas diferentes e que se trata de uma escola mais moderna”.
A professora Carla Barreto continua a dar-lhe aulas e o aluno mantém muitos dos seus amigos, alguns deles desde o jardim de infância, mas as brincadeiras passarão a ter lugar num espaço diferente.
Também a sala de aula é uma novidade para o Bernardo. Aprendeu a escrever e a fazer contas com giz num quadro de ardósia e agora vai passar a utilizar um quadro interactivo e terá uma sala nova, ainda de paredes e armários vazios, prontos a serem preenchidos com os trabalhos que vão fazer.
Outra das novidades é o sistema biométrico, em que através da colocação do dedo no equipamento, Bernardo pode entrar e sair da escola, assim como comprar as suas refeições e material escolar que necessite.
Para a sua mãe esta é a escola do futuro. “Eu gostava de ter novamente seis anos para poder usufruir destes equipamentos, mas já acho que é muito bom ele poder desfrutá-los”, conta, destacando que se trata de uma mais valia em termos de ensino e que a escola tem tudo para dar certo. “Tem uma óptima biblioteca, por exemplo, ao passo que quando eu tinha a idade do Bernardo nem sabia o que era uma biblioteca. Nessa altura havia a biblioteca nas Caldas da Rainha, no parque, onde ia requisitar livros”, recorda Lénia Lameiro, de 31 anos, que frequentou a mesma escola que o filho, em A-dos-Negros.
Desde que o filho entrou para a escola, que integra a associação de pais, cargo que agora continua a desempenhar no complexo do Alvito. Tem pena de ver o encerramento da escola onde estudou e, para assinalar este final de ciclo, fizeram um arraial popular em Junho. “Alguns pais comoveram-se porque foi o fecho das portas de uma escola onde muitos deles estudaram e da qual guardam recordações”, refere, acrescentando que com esta mudança perde-se um pouco da proximidade aos familiares, em que os avós ainda iam buscar os netos.
“A aldeia fica mais envelhecida e o movimento de manhã, dos pais a irem por os filhos à escola, também vai acabar”, diz, lembrando que o seu filho de manhã costumava ir a pé para a escola e à tarde, muitas das vezes era a avó que o ia buscar, outras era transportado pela carrinha da Junta de Freguesia.
Agora, com a escola a cerca de três quilómetros de casa, tem o transporte assegurado pela autarquia.
“Foram bons tempos, mas não tínhamos ATLs, inglês ou outras actividades extra-curriculares”
Dos seus primeiros tempos de escola, vividos há mais de duas décadas, Lénia Lameiro lembra os dias de gelo, em que aqueciam o leite no aquecedor a óleo que havia na sala de aula, assim como da professora São, que lhe deu aulas durante os quatro anos que esteve em A-dos-Negros. Recorda também que ainda havia uma “cana da índia”, mas que a professora usava apenas para apontar no quadro enquanto explicava a matéria.
“Foram bons tempos, mas não tínhamos ATLs, inglês ou outras actividades extra-curriculares”, lembra. No entanto, e apesar dessas limitações ao nível do ensino, licenciou-se. Depois de A-dos-Negros, Lénia Lameiro foi para a escola Josefa d’Óbidos, onde estudou até ao 9º ano. O maior choque que sentiu foi quando passou para o secundário e teve que ir para a Bordalo Pinheiro, que era uma “escola velha”, que não tinha nada a ver com a que andara antes. “Hoje já há ensino secundário em Óbidos, o que acho que é óptimo”.
Na nova escola a agora denominada Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Centros Educativos de A-dos-Negros e Gaeiras possui uma sala própria para os seus membros reunirem. Este organismo vai doar 200 euros para a compra de livros.
A associação já integra bastantes pais, mas continua com as inscrições abertas, tendo inclusive diminuído a quota mensal de dois para um euro. Lénia Lameiro justifica que participar na associação é uma forma de intervir e de ter acesso a informações sobre a escola, defendendo uma maior participação destes na vida escolar dos seus filhos.
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