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Câmara restringe horário dos bares que ainda não têm sonómetro

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A Câmara das Caldas está a apertar o cerco aos estabelecimentos de diversão nocturna devido à legislação do ruído.
Aqueles cuja actividade obriga à instalação de um sonómetro, mas que ainda não o colocaram, estão a ser forçados a encerrar as portas até às 23h00. Entre os empresários há um sentimento misto. Se por um lado ter o sonómetro é uma defesa contra queixas de má-fé, por outro o aparelho significa um investimento volumoso numa altura em que o negócio não conhece os melhores dias.[showhide]

O regulamento municipal do ruído obriga desde Setembro do ano passado os proprietários de estabelecimentos de diversão nocturna a instalar um sonómetro, aparelho que regista e restringe o volume do som aos limites legais (93 décibéis – o equivalente ao som de um corta relva).
Os empresários tiveram um período de adaptação de seis meses, até Fevereiro deste ano, alargado posteriormente para o final de Março. Mesmo assim, segundo informou a autarquia, apenas perto de 50% dos cerca de 30 estabelecimentos tinham colocado o aparelho.
Nessa altura o município encetou diligências para que os empresários cumprissem o regulamento e aqueles que não o fizeram foram alvo de restrições no horário de funcionamento, que passa por fechar às 23h00. Os bares com licença podem estar abertos 24 horas, se assim entenderem.

sonómetro
O sonómetro é um aparelho pequeno e discreto, mas é caro e tem causado polémica

Segundo vários dos empresários do sector que Gazeta das Caldas contactou, o principal motivo de resistência tem sido o elevado preço do aparelho, próximo dos 1.800 euros. E se alguns optaram por colocá-lo após o ultimato da autarquia, outros pesaram o investimento que tinham de fazer e o benefício de ter a porta aberta até mais tarde e optaram fechar a porta mais cedo porque os clientes são cada vez menos.
A adopção de um novo regulamento de ruído municipal foi justificado pelo elevado número de queixas que existiam contra os estabelecimentos nocturnos e segundo Hugo Oliveira, vice-presidente da Câmara das Caldas, desde que este foi aplicado, o número de queixas tem vindo a diminuir.

UM MAL QUE VEM POR BEM…

Os proprietários dos bares caldenses são, na sua generalidade, a favor da colocação de sonómetros porque acham benéfico um registo do ruído. Isso vai afastar as queixas de má-fé, o que constitui uma defesa da actividade.
Paulo Mendes, do 120 Bar, defende que “é benéfico para os proprietários que ficam salvaguardados”. Entende que a chegada dos sonómetros era só uma questão de tempo, uma vez que era uma medida que vinha sendo implementada em diversos concelhos.
O aparelho está regulado para restringir o som acima de 93 decibéis, o que os empresários até consideram exagerado. Nelson Pereira, proprietário do Bofioni, no Coto, explica que o som se torna incomodativo quando está no máximo e, por isso, no seu estabelecimento não chega a atingir aqueles limites.
O mesmo acontece no bar Ilha, afirma João Sancheira, o primeiro a colocar sonómetro no concelho.
Em casos como estes o aparelho torna-se “desnecessário”, realça este empresário. “Nunca tive excesso de ruído no meu estabelecimento, foi sempre na via pública”, acrescenta, pelo que a restrição de horário de que foi alvo antes de adquirir o sonómetro “foi injusta”.
O aparelho controla directamente a linha de audio, o que significa que não sai som das colunas acima do limite legal. Também possui sensores que medem o som ambiente. O registo é enviado em tempo real, quer para o município, quer para as autoridades policiais (a PSP no perímetro urbano e a GNR nos meios rurais), o que permite a estas autoridades actuarem em caso de queixas.
Este é outro benefício do aparelho para os empresários, uma vez que reduz as visitas dos agentes da autoridade quando existem queixas e não se verifica excesso de ruído. E quando existe insistência em queixas que depois não se verifica serem verdadeiras, as queixas de má-fé também são punidas com coimas.
A autarquia tem um técnico responsável por fazer a monitorização dos aparelhos e também visitas aleatórias aos estabelecimentos, para verificar o cumprimento da lei. Estas permitem também identificar problemas com o funcionamento dos aparelhos que são reportados ao fornecedor.

… MAS DEMASIADO CARO

Se há prós, também há contras na adopção dos sonómetros na opinião dos empresários. E o principal é o encargo que representa, superior a 1.700 euros, argumento unânime entre os empresários que Gazeta das Caldas contactou. Cláudio Oliveira, do Bar Odisseia, sublinha que existem no mercado soluções a metade do preço, mas que não estão homologadas pelo município à luz do regulamento do ruído.
Nuno Mateus, proprietário do Rés do Chão Bar diz que tem noção da importância do descanso para quem está na sua casa e por isso não é contra a instalação do sonómetro, mas sim contra a forma como está a ser implementada a medida. O empresário acha que “isto é um fardo muito grande para os comerciantes e um convite para as pessoas fugirem aos impostos”.
Já Ricardo Figueiredo, do Côcos Beach Bar, defende a criação de zonas em que faz sentido ter o aparelho e onde não faz sentido, por não existirem zonas de habitação, como é o caso dos bares na Avenida do Mar, na Foz do Arelho.
Já Paulo Mendes, do 120 Bar, considera que “se é obrigatório é para todos e deve haver fiscalização para que a concorrência seja leal”.
Outra questão importante para os empresários é que a aquisição do sonómetro coloca em causa a rentabilidade dos estabelecimentos.
“Como é que um empresário suporta este valor se não tem clientes?”, questiona Ricardo Figueiredo. Cláudio Oliveira diz que “a vida nocturna nas Caldas está muito fraca e todos os estabelecimentos estão a passar mal”. João Sancheira acrescenta que se as Caldas já foi um ex-libris da noite na região, hoje o público prefere cada vez mais destinos como o Baleal, Benedita e Torres Vedras.[/showhide]

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