Entidade Reguladora de Saúde defende manutenção das urgências e da maternidade nas Caldas da Rainha

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Na proposta da ERS as urgências caldenses mantêm-se inalteradas, tal como reivindicado por populares, políticos e profissionais de saúde.

O estudo da Entidade Reguladora de Saúde (ERS) sobre as especialidades de medicina interna, cirurgia geral, neurologia, obstetrícia, pediatria e infeciologia deixa uma réstia de esperança nas reivindicações dos caldenses. Se a reorganização hospitalar ponderada pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo anunciava o encerramento de um serviço de obstetrícia e outro de cirurgia geral nos centros hospitalares Oeste Norte (CHON) e de Torres Vedras (que se deveriam fundir no Centro Hospitalar do Oeste), o estudo da ERS propõe agora que os dois serviços se mantenham em funcionamento nas Caldas da Rainha.
Já para Alcobaça, Torres Vedras e Peniche, as preocupações ganham novos fundamentos. O estudo divulgado no passado fim-de-semana aponta para o fim do serviço de cirurgia geral no hospital de Alcobaça, onde se deverá manter apenas a cirurgia de ambulatório. Pondera-se também que as urgências de Torres Vedras deixem de ser Médico-Cirúrgicas e se resumam a um Serviço de Urgência Básico e propõe-se o encerramento do serviço de Medicina Interna no hospital de Peniche, onde existem actualmente 20 camas de internamento. O facto de se prever o encerramento do Serviço de Urgência Básico da unidade contribui para esta proposta da ERS, mas os autores do estudo dizem que o fim do internamento “não significa necessariamente uma redução de oferta para a população de Peniche”, dada a integração da unidade no CHON.
No que diz respeito à Neurologia, a ERS propõe que é o Hospital de Santarém que deve dar apoio ao CHON. Outra proposta do estudo é que “no Oeste, o serviço de pediatria deve ficar localizado no Hospital das Caldas da Rainha” e que “o Hospital de Torres Vedras deve ter serviço de pediatria em função de cobrir a população com idade até 14 anos com baixo acesso a cuidados de saúde hospitalares e ser o único hospital com pediatria no centro Hospitalar em que está integrado”.
A obstetrícia era uma das reivindicações dos oestinos em matéria de cuidados hospitalares. O estudo prevê a manutenção da especialidade, com apoio perinatal, tanto no CHON, como no Centro Hospitalar de Torres Vedras, “por cobrir população feminina com baixo acesso a cuidados de saúde hospitalares e por não estar integrado num Centro Hospitalar com alternativa de oferta de obstetrícia”.A proposta da ERS abre, assim, caminho à extinção do serviço em Torres Vedras caso se venha a concretizar a criação do Centro Hospitalar do Oeste. É ainda feita a salvaguarda de que na eventual passagem das urgências torrienses para um serviço básico “coloca-se a necessidade de se prover alternativa válida, em termos de acesso, para a população”.
Quanto à infecciologia, que não existe em nenhuma das unidades hospitalares da região, a ERS pondera a criação de um serviço da especialidade em Leira, “tendo presente a área de influência do Hospital de Leiria, bem como o seu potencial aumento por virtude dos movimentos naturais das populações do concelho de Alcobaça”.
A ERS admite que a concretização desta proposta se vai traduzir em alterações na actual rede hospitalar. Alterações que “não serão prejudiciais ao acesso dos utentes aos cuidados de saúde hospitalares, mas sim potencialmente positivas em termos de promoção de maior racionalização de recursos e qualidade na prestação de cuidados de saúde hospitalares, em benefício dos utentes”.
Instado pela Gazeta das Caldas a comentar o estudo da ERS, António Curado, da Comissão de Utentes do Centro Hospitalar Oeste Norte (Caldas da Rainha) diz que o documento “está em análise” e seria debatido na reunião das Comissões das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche marcada para a noite de 5 de Junho, já depois do fecho desta edição.
Já o ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse no início da semana que o estudo “é um contributo positivo que vai ser tido em conta”, mas que “não é a carta hospitalar sobre a qual, depois, poderia haver uma decisão política”. O governante esclareceu que o documento vai ser discutido e só depois entregue às Administrações Regionais de Saúde, para que se possa “estabelecer progressivamente uma carta hospitalar”.

Joana Fialho
jfialho@gazetadascaldas.pt

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