
O Hour of Code (Hora do Código) foi uma iniciativa que decorreu um pouco por todo o mundo. Uma hora dedicada por inteiro à programação informática para mostrar que esta não é nenhum bicho de sete cabeças.
“Vivemos num contrasenso, em que existem muito mais vagas de emprego na área das ciências da computação e muito menos nas áreas das matemáticas e ciências, mas a escolha dos alunos é a inversa”, observa a professora.
Face ao cada vez menor número de alunos nos cursos de engenharia informática e ciências computação, “é preciso fazê-los perceber que a programação é acessível, não é só para génios”, sublinha a professora.
A iniciativa contou com a adesão de mais de 10 milhões de alunos em 180 países, com tutoriais em 30 idiomas, possíveis de resolver sem qualquer tipo de experiência e numa faixa etária dos 4 aos 104, refere a página portuguesa do Hour of Code.
Na ESBRP não foi uma hora, mas hora e meia, o tempo de duas aulas. Duas turmas do Curso Profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos organizaram três workshops diferentes em três salas de aula, abertos à comunidade escolar. Participaram cerca de 70 alunos, entre os quais uma turma da escola vizinha, a D. João II.
Carla Jesus refere que, mesmo que os alunos não sigam a profissão de programador, aprender este tipo de linguagem “é muito útil porque desenvolve o raciocínio e estimula a resolução de problemas, competências que é importante que os alunos adquiram”.
Para além da programação para computador, esta é uma área com cada vez mais saída, tanto a nível profissional, como em complemento de outras actividades, também pela disseminação do mercado das aplicações para tablets e smartphones. Esta é mesmo uma área que os alunos do ESBRP têm desenvolvido no curso profissional. “Há alunos a fazer PAP no desenvolvimento de aplicações para smartphones e tablets, é uma área que queremos desenvolver mais porque o futuro passa muito por aí”, acrescenta Carla Jesus.
Os alunos encarregues de organizar os workshops também tiraram fotografias e fizeram filmagens para a produção de um video de um minuto sobre o que é programar, com o qual vão participar num concurso da Associação Nacional de Professores e Informática.
Carla Jesus volta a receber distinção da Microsoft
Carla Jesus, professora de Tecnologias de Informação e Comunicação da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro (ESBRP), revalidou para 2016 o título de Professor Inovador da Microsoft, que já conquistou no ano passado.
Esta distinção é atribuída pelo gigante da informática aos docentes que se empenham na utilização da tecnologia no ensino. “Este tem sido o meu trabalho nos últimos tempos e é muito bom vê-lo reconhecido”, refere a professora, que no ano passado começou por ser uma das 800 de todo o mundo a entrar no programa e acabou como uma das 300 seleccionadas a fazer uma formação na sede da Microsoft em Edmonton.
Este ano voltou a ser desafiada para concorrer e a ser uma das seleccionadas, através de um projecto com os alunos de turismo da ESBRP. Esse trabalho consistiu na criação de uma visita virtual à escola através do programa Microsoft PhotoSynth. “A visita virtual não está completa, não conseguimos cobrir tudo com o tempo que tínhamos, mas está disponível no site do agrupamento”, conta Carla Jesus.
A experiência vivida ao longo deste ano foi compensadora e, por isso, a professora espera que 2016 “seja um ano igualmente cheio de experiências porque os contactos e a partilha com professores de todo o mundo é algo que não tem preço”.








