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Médicos querem apenas um hospital para todo o Oeste

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O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, na sessão de encerramento, ladeado por António Curado e por Paulo Simões

A preocupação com o estado atual dos cuidados de saúde na região juntou cerca de uma centena de profissionais em encontro promovido pelo Conselho Sub-regional do Oeste da OM

A necessidade da construção de um novo hospital para o Oeste voltou a estar em destaque, desta feita num debate sobre cuidados de saúde no Oeste para os próximos 10 anos, promovido pelo Conselho Sub-regional do Oeste da Ordem dos Médicos. No encontro, que decorreu a 21 de fevereiro em Óbidos, a esmagadora maioria disse preferir a solução de um único equipamento para todo o Oeste em detrimento de dois hospitais. Não foi discutida a questão da localização, mas colocada a tónica de que, para haver melhores cuidados de saúde hospitalares e públicos, é preciso haver um hospital para todo o Oeste que, pela sua dimensão, possa ser um garante de qualidade dessa oferta.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, disse mesmo, na sessão de encerramento, que este tema é o “elefante na sala”, dada a sua importância e a necessidade de construção em menos de uma década. O responsável considerou também “inacreditável” como é que uma ULS com três hospitais não possui um Serviço de Medicina Intensiva. “Não sei se existe outra no país com esta característica”, disse, não compreendendo a “dificuldade em criar aqui um serviço que é essencial para a segurança da população”.

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Carlos Cortes considera fundamental a integração, nas ULS, dos cuidados de saúde primários com os hospitalares e os cuidados continuados, mas reconhece que têm sido encontradas algumas dificuldades, desde logo ao nível da falta de autonomia, nomeadamente dos cuidados de saúde primários. Por outro lado, sentiu a necessidade, por parte dos profissionais de saúde, de “serem reconhecidos, valorizados, respeitados, de terem condições imprescindíveis para tratarem dos vossos doentes”. Satisfeito com a iniciativa, que considera um “ponto de partida”, o bastonário deixou a sugestão para que as preocupações ali manifestadas saíssem da fronteira da Ordem dos Médicos e que reuniões deste tipo fossem alargadas a toda a comunidade, criando fóruns de discussão com a participação dos médicos e das forças vivas da sociedade.
Também o presidente do Conselho Regional do Sul, Paulo Simões, valorizou a importância destas reuniões e saudou a larga presença dos Internos (jovens médicos em formação pós-licenciatura e para as especialidades).

Acabar com a linha SNS24
“Inquietação” foi a palavra escolhida pelo presidente do Conselho Sub-regional do Oeste da Ordem dos Médicos, António Curado, para se referir aos cuidados de saúde oferecidos à população. “Estamos inquietos porque queremos oferecer melhor e mais à população e porque queremos exercer a profissão com dignidade e qualidade”, o que deverá acontecer com avanços na forma como os serviços de saúde estão organizados no Oeste e com uma nova estrutura hospitalar.

Durante a manhã de trabalho, os médicos dividiram-se por 11 mesas, cada uma com perguntas mais específicas e dirigidas à sua área de atuação: Medicina Interna, Cirurgia, Urgências Hospitalares, Saúde Materno-Infantil, Cuidados de Saúde Primários (2 mesas), Medicina Privada, Saúde Mental, Outras especialidades hospitalares e Médicos Internos (2 mesas). As conclusões de cada mesa foram depois apresentadas, em plenário, por um porta-voz, permitindo o debate.

Entre as conclusões ficou a posição de que a Linha SNS 24 não pode ser a porta de entrada no Serviço Nacional de Saúde, mas voltarem a ser os cuidados de saúde primários. “Foi dito claramente que deviam acabar com a linha SNS24. Entrar no sistema através de uma linha telefónica não está a sortir o efeito desejado”, explicou António Curado.
O também diretor do Serviço de Gastrenterologia da ULS Oeste disse estar satisfeito com a reflexão feita sobre os problemas da saúde e a organização dos cuidados de saúde no Oeste e que o próximo passo será abrir o debate à comunidade. O Conselho Sub-Regional comprometeu-se também a compilar o resumo das apresentações e a divulgá-las posteriormente.

O encontro contou com a participação de 25 internos da ULS do Oeste

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