Para as instâncias europeias, o exemplo caldense reforça a ideia de que o pequeno comércio não é apenas um pilar económico, mas uma “pedra angular” das comunidades, essencial para cidades mais inclusivas e atrativas
“Hoje enviamos uma mensagem clara: o pequeno comércio tem futuro na Europa e esse futuro merece investimento”. Palavras de Valère Moutarlier, director-geral do Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME da Comissão Europeia, durante a cerimónia de atribuição do título de Capital Europeia de Pequeno Retalho 2026. O retalho está a evoluir, as transições verde e digital, a mudança nos padrões e expectativas dos consumidores e as tendências demográficas estão a moldar o setor, reconheceu, dando nota que as PME do retalho estão a mostrar uma resiliência e adaptabilidade “notáveis”.
“Por toda a Europa, vemos pequenos retalhistas a adotar ferramentas digitais, a desenvolver modelos de negócio sustentáveis e a reinventar os centros das cidades como locais vibrantes e atraentes para viver, trabalhar e comprar”, sintetizou.
No entanto, a existência de um mercado único que funcione bem e um ambiente regulatório favorável são fundamentais para o sucesso, fez notar Valère Moutarlier, manifestando que ambicionam tornar o mercado europeu “mais simples, mais forte e mais integrado para ajudar as PME”, incluindo as do retalho, a expandir as suas atividades, chegar a novos consumidores e beneficiar plenamente da escala económica da Europa.
A importância do pequeno comércio foi justificada com números: representa 11,5% do valor acrescentado da UE, mais de 29 milhões de empregos e 5,5 milhões de empresas, das quais 99% são PME. “O retalho não é apenas um setor económico, é uma pedra angular das nossas sociedades”, salientou o responsável da Comissão Europeia, destacando ainda que estas pequenas empresas são essenciais para “comunidades vibrantes”, trazendo proximidade, confiança e identidade aos bairros e desempenhando um papel crucial na revitalização dos centros urbanos.
Estes prémios procuram destacar o que está a funcionar e o que vale a pena defender, juntando cidades e decisores políticos para mostrar estratégias de sucesso, aprender uns com os outros e exportar boas práticas. Valère Moutarlier referiu-se às cidades vencedoras como as embaixadoras da UE para o pequeno comércio, que têm agora como missão “inspirar outras cidades, retalhistas e decisores políticos”.
As Capitais Europeias do Pequeno Retalho (ECoSR) são uma iniciativa da União Europeia proposta como ação preparatória pelo Parlamento Europeu, com base numa petição de cidadãos, e implementada pela Agência de Execução do Conselho Europeu da Inovação e das PME (EISMEA), em nome da Direção-Geral do Mercado Interno, da Indústria, do Empreendedorismo e das PME da Comissão Europeia (DG GROW). Dolors Montserrat, membro do Parlamento Europeu e vice-presidente do Partido Popular Europeu, realçou que esta iniciativa significa que “estamos a construir, diariamente, mais Europa nestes tempos tempestuosos no mundo”.
Esta primeira edição contou com 28 candidaturas, “um número significativo tendo em conta o curto espaço de tempo para a entrega das candidaturas”, salientou a eurodeputada espanhola, acrescentando que a comissão europeia tem de continuar a trabalhar para garantir o financiamento das edições futuras.










